Valderico rompe com Jabes e chama para si o comando de Ilhéus

A saída dos secretários ligados ao ex-prefeito marca a ruptura no governo e traz a disputa de 2028 para o centro da política municipal.

Por Jerbson Moraes | Poder & Política

O prefeito Valderico Júnior decidiu pagar o preço de romper com Jabes Ribeiro. A reforma do secretariado publicada em 29 de outubro retirou do primeiro escalão os três secretários ligados a Jabes: Cacá Colchões, Sayonara Machado e Anarleide Cruz Menezes. Com o ato, Valderico assume o risco de enfrentar um aliado de peso para deixar claro quem conduz o governo que foi eleito para comandar.

Quatro vezes prefeito de Ilhéus, Jabes levou à aliança uma estrutura partidária organizada e décadas de prática na negociação política. O apoio à eleição de Valderico rendeu ao seu grupo espaço expressivo na gestão. O equilíbrio começou a ceder quando a presença na máquina passou a conviver com projetos eleitorais próprios e com uma disputa cada vez mais aberta pela direção da coalizão.

O próprio Jabes expôs parte dos termos desse entendimento. Em declarações públicas, afirmou que a repactuação com o prefeito assegurava ao PP a permanência na presidência da Câmara. Na mesma entrevista, detalhou os candidatos a deputado escolhidos pelo partido. As declarações evidenciam a amplitude dos interesses políticos em jogo na convivência entre os aliados.

Nos bastidores, a movimentação em torno do nome do médico André Cezário para 2028 ajuda a explicar a ruptura. O nome vinha sendo trabalhado no entorno de Jabes como alternativa para a sucessão municipal. Confirmada essa articulação, o prefeito se via em posição desconfortável, obrigado a sustentar uma aliança cujo sócio preparava, de dentro da própria gestão, um projeto concorrente ao seu.

Nenhuma saída era barata. Se tolerasse a movimentação, Valderico correria o risco de um esvaziamento gradual da própria liderança. A alternativa era afastar o grupo e enfrentar um ex-prefeito que conhece como poucos o ofício da oposição. A reação, de resto, já estava anunciada, pois Jabes havia sinalizado publicamente que uma retirada sem diálogo teria resposta política dura. Valderico decidiu conhecendo o custo.

A decisão será testada primeiro na Câmara. Ainda segundo relatos de bastidores, o prefeito buscou aproximação com o presidente do Legislativo, César Porto, e atuou na negociação da Mesa Diretora antes de formalizar o rompimento. A extensão dessa articulação ainda carece de confirmação, mas a aproximação institucional entre o prefeito e a presidência da Casa ficou publicamente registrada às vésperas da eleição da Mesa.

O objetivo político era impedir que a saída dos indicados de Jabes do Executivo se convertesse de imediato em isolamento no Legislativo. Se essa leitura se confirmar, a sequência dos fatos revela um rompimento preparado, com a sustentação parlamentar buscada antes das exonerações.

Sem o grupo de Jabes, Valderico ganha liberdade para montar a equipe e fixar prioridades, e amplia sua responsabilidade política pelos resultados. Jabes terá agora de medir quanto de sua influência sobrevive fora da estrutura municipal, sem as secretarias que lhe garantiam capilaridade administrativa.

O rompimento redesenha o presente e já projeta 2028. Valderico fez uma aposta de comando, e o acerto dela será medido pela capacidade de converter a autonomia em estabilidade política e em entregas concretas para a cidade.

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