Recomendações atualizadas da SBR sobre vacinação em pacientes reumáticos e estratégias para ampliar a proteção contra infecções graves serão apresentadas em conferência nacional para oferecer orientações práticas, seguras e adaptadas à realidade brasileira.
A vacinação de pessoas com doenças reumáticas imunomediadas é hoje uma das principais ferramentas para reduzir complicações, hospitalizações e mortes associadas a infecções. O tema ganhará destaque no 43º Congresso Brasileiro de Reumatologia, promovido pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), que será realizado de 2 a 5 de setembro, em Curitiba (PR).
Durante a conferência nacional “Vacinação nas doenças reumáticas imunomediadas: Recomendações da SBR 2025”, a reumatologista Dra. Gecilmara Cristina Salviato Pileggi, membro da comissão de Doenças Endêmicas e Infecciosas da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) apresentará as principais atualizações da SBR sobre imunização de pacientes que convivem com doenças autoimunes e utilizam medicamentos imunossupressores, grupo que apresenta maior risco de desenvolver infecções graves e suas complicações.
Segundo a especialista, a vacinação deve ser considerada parte fundamental do cuidado reumatológico. Embora alguns medicamentos utilizados para controlar a atividade das doenças possam reduzir parcialmente a resposta imunológica às vacinas, os benefícios da imunização permanecem superiores aos riscos. “Vacinar é sempre melhor do que não vacinar. O principal objetivo das vacinas é prevenir formas graves das infecções, reduzindo internações e óbitos, especialmente em pacientes mais vulneráveis”, destaca a pesquisadora.
Um dos pontos centrais das recomendações da SBR é a diferenciação entre os tipos de vacinas. As chamadas vacinas inativadas, como influenza, COVID-19, pneumocócica e hepatite B, podem e devem ser administradas em pacientes com doenças reumáticas imunomediadas, inclusive naqueles que já utilizam imunossupressores ou medicamentos imunobiológicos. Sempre que possível, a recomendação é que o calendário vacinal seja atualizado antes do início de terapias imunossupressoras. No entanto, quando isso não é possível, a vacinação continua indicada durante o tratamento, conforme avaliação médica individualizada.
Já as vacinas de vírus vivo atenuado exigem uma análise mais cuidadosa. Entre elas estão as vacinas contra febre amarela, dengue e, em algumas situações, a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola). Nesses casos, fatores como atividade da doença, tipo de medicação utilizada, grau de imunossupressão e risco epidemiológico devem ser considerados antes da indicação.
Alguns pacientes podem precisar de ajustes temporários no tratamento para receber essas vacinas com maior segurança e obter uma melhor resposta imunológica. Por isso, a decisão deve ser sempre compartilhada entre paciente e reumatologista.
Outro ponto que será discutido é o medo dos pacientes de que a vacinação possa reativar a doença autoimune. Segundo a especialista, as evidências científicas mostram que esse risco é muito baixo e reforça a necessidade de combater mitos para aumentar a adesão dos pacientes à vacinação. “As vacinas são seguras e estimulam o sistema imunológico para gerar proteção contra uma infecção específica, mas isso não significa ativar a autoimunidade. O maior risco está nas próprias infecções, que podem desencadear piora da atividade da doença, complicações secundárias e necessidade de hospitalização”, explica.
Além da imunização do próprio paciente, a conferência também abordará a chamada estratégia de casulo, que consiste na vacinação de familiares, cuidadores e pessoas que convivem regularmente com pacientes imunossuprimidos. A medida ajuda a reduzir a circulação de agentes infecciosos no ambiente próximo e oferece uma camada adicional de proteção para aqueles que podem apresentar uma resposta vacinal reduzida.
O Congresso Brasileiro de Reumatologia é o principal evento científico da especialidade no país e reúne médicos, pesquisadores e profissionais da saúde para discutir inovação, diagnóstico, tratamento, políticas públicas e novas perspectivas no cuidado das doenças reumáticas.
Doenças reumáticas no Brasil
Estima-se que as doenças reumáticas já afetam mais de 15 milhões de brasileiros. Em geral, provocam muitas dores nos pacientes e representam uma das maiores causas de afastamento do trabalho e de aposentadorias por invalidez. Entre as principais doenças reumáticas estão Artrite Reumatoide, Osteoartrite/Artrose, Espondiloartrites, Artrite Psoriásica, Lombalgia, Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), Fibromialgia, Osteoporose, Gota, Febre Reumática, Vasculites, Doença de Sjögren, Doença de Behçet e Esclerose Sistêmica (ES). Muitas dessas condições estão entre as maiores causas de dor crônica, incapacidade funcional, afastamento do trabalho e perda de qualidade de vida.
Serviço
43º Congresso Brasileiro de Reumatologia
Data: 2 a 5 de setembro de 2026
Local: Via Soft (Universidade Positivo)
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 / Cidade Industrial de Curitiba – Curitiba (PR)
Confira a programação completa no site: https://sbr2026.com.br/ .
@sociedadereumatologia I @reumatologinsta
Sobre a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR)
A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) é uma associação civil científica de direito privado, sem fins lucrativos, fundada em 15 de julho de 1949, na cidade do Rio de Janeiro, pelos médicos Herrera Ramos, Waldemar Bianchi, Pedro Nava, Israel Bonomo, Décio Olinto e outros, tendo mantido desde então sua tradição científica, acompanhando e promovendo o desenvolvimento da especialidade no Brasil e com um importante papel também internacional, especialmente entre os países da América Latina. Filiada à Associação Médica Brasileira, conta em torno de 2 mil associados, congrega 26 sociedades regionais estaduais, assessorias e comissões científicas e representações em associações nacionais e internacionais e junto ao Ministério da Saúde.

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