Leitura na infância aprimora capacidades cognitivas e molda mentes mais brilhantes

Hábito de ler para os pequenos não só enriquece o vocabulário, mas também melhora a concentração, o desempenho escolar e a capacidade de lidar com emoções, aponta especialista da UniCesumar

De acordo com levantamento de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que a taxa de analfabetismo no país, embora em queda, ainda atinge 5,4% da população de 15 anos ou mais, representando milhões de brasileiros. Este cenário reforça a urgência de políticas e práticas que incentivem a leitura desde a primeira infância, atuando na raiz do problema e garantindo que as crianças cheguem à escola com uma base sólida para a aprendizagem.

Em um mundo onde as telas disputam a atenção desde os primeiros meses de vida, um hábito antigo se reafirma como uma base mais forte para o desenvolvimento infantil: a leitura. Muito antes de decifrar as primeiras letras, a criança que ouve histórias já está treinando seu cérebro para pensar, sentir e se comunicar. Esta prática, longe de ser apenas entretenimento, é um investimento direto no desenvolvimento cognitivo, social e na saúde mental dos pequenos, além de fortalecer os laços familiares.

A prática da leitura compartilhada ativa simultaneamente diversas áreas do cérebro infantil, relacionadas à linguagem, memória, imaginação e emoções. “O hábito durante a infância é um dos estímulos mais completos, pois integra dimensões cognitivas, linguísticas, emocionais e sociais de forma simultânea. Cada momento de leitura contribui para o fortalecimento das conexões neurais, ampliando o repertório linguístico e favorecendo o desenvolvimento do pensamento simbólico, que é a base essencial para a alfabetização”, afirma Aline Santos, professora do curso de Pedagogia EAD da UniCesumar.

Diferente de assistir a um filme em família, a leitura conjunta promove uma conexão ativa e afetuosa já que o contato físico, o diálogo sobre a história e a atenção mútua criam memórias afetivas e fortalecem o vínculo de confiança entre pais e filhos. “A leitura conjunta vai além do ato de ler: ela é um encontro. Um momento em que o adulto se faz presente, disponível e conectado com a criança, e é essa qualidade de presença que torna o vínculo mais forte”, conclui Aline.

Benefícios em longo prazo

Os benefícios se desdobram em múltiplas frentes. Em uma era de estímulos rápidos, a leitura funciona como um verdadeiro ‘treinamento cognitivo’, que ensina a criança a manter o foco e a atenção de forma sustentada. Ao acompanhar uma narrativa com começo, meio e fim, ela exercita a concentração, a escuta ativa e a capacidade de organizar pensamentos, habilidades cruciais para o desempenho escolar em todas as disciplinas, da matemática às ciências.

“Formar um leitor é também investir na saúde mental da criança. As histórias funcionam como um ‘laboratório seguro’ para as emoções. Por meio dos personagens, a criança aprende a nomear e compreender sentimentos complexos como medo, raiva e alegria. Ao se identificar com os personagens, ela vivencia situações complexas sem estar exposta a riscos reais. Esse processo favorece o autoconhecimento e ensina que é possível dialogar ou encontrar soluções em vez de reagir impulsivamente”, explica Santos.

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