{"id":19175,"date":"2026-11-06T00:29:40","date_gmt":"2026-11-06T03:29:40","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=19175"},"modified":"2026-11-06T00:29:42","modified_gmt":"2026-11-06T03:29:42","slug":"obesidade-infantil-no-brasil-cresce-mais-de-dez-vezes-em-quatro-decadas-e-acende-alerta-para-riscos-metabolicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=19175","title":{"rendered":"Obesidade infantil no Brasil cresce mais de dez vezes em quatro d\u00e9cadas e acende alerta para riscos metab\u00f3licos"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Dados da OMS mostram que preval\u00eancia passou de 1,6% para 17,4% entre crian\u00e7as e adolescentes; endocrinologista do S\u00edrio-Liban\u00eas explica por que a preven\u00e7\u00e3o exige mudan\u00e7as na rotina familiar, sem dietas restritivas ou culpabiliza\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A preval\u00eancia de obesidade entre crian\u00e7as e adolescentes brasileiros de 5 a 19 anos passou de 1,6%, em 1980, para 17,4%, em 2024, segundo dados da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS).\u00b9 O crescimento de mais de dez vezes em quatro d\u00e9cadas revela um problema que vai al\u00e9m do peso corporal.<\/p>\n\n\n\n<p> A obesidade pode estar associada, ainda na inf\u00e2ncia, a altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas como hipertens\u00e3o, n\u00edveis elevados de glicose, colesterol e ac\u00famulo de gordura no f\u00edgado. Diante desse cen\u00e1rio, especialistas alertam que a preven\u00e7\u00e3o precisa come\u00e7ar cedo, mas sem transformar a alimenta\u00e7\u00e3o e o corpo das crian\u00e7as em motivos de culpa ou preocupa\u00e7\u00e3o excessiva.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0A dimens\u00e3o do problema tamb\u00e9m aparece no Atlas Mundial da Obesidade 2026, publicado pela Federa\u00e7\u00e3o Mundial da Obesidade. Segundo o relat\u00f3rio, aproximadamente 16,5 milh\u00f5es de brasileiros de 5 a 19 anos apresentavam sobrepeso ou obesidade em 2025. O documento estima ainda que cerca de 4 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes nessa faixa et\u00e1ria apresentavam doen\u00e7a hep\u00e1tica esteat\u00f3tica associada \u00e0 disfun\u00e7\u00e3o metab\u00f3lica atribu\u00edda ao \u00edndice de massa corporal (IMC) elevado, enquanto 1,4 milh\u00e3o apresentava hipertens\u00e3o associada ao mesmo fator.\u00b2<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Esses n\u00fameros s\u00e3o estimativas populacionais, n\u00e3o diagn\u00f3sticos individuais, e ajudam a dimensionar as poss\u00edveis repercuss\u00f5es do excesso de peso sobre a sa\u00fade infantil. Para a endocrinologista Paula F\u00e1brega, do Hospital S\u00edrio-Liban\u00eas, em Bras\u00edlia, a preven\u00e7\u00e3o exige uma abordagem ampla, que considere n\u00e3o apenas a alimenta\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m fatores gen\u00e9ticos, ambientais, comportamentais e socioecon\u00f4micos.\u00a0\u201cPrevenir e tratar precocemente a obesidade infantil n\u00e3o significa colocar a crian\u00e7a em uma dieta restritiva ou faz\u00ea-la se preocupar com o peso. Significa criar, em fam\u00edlia, um ambiente que favore\u00e7a uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada, movimento, sono adequado e uma rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel com o pr\u00f3prio corpo e com a comida\u201d, orienta a especialista.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O problema n\u00e3o est\u00e1 apenas na sobremesa<\/strong>\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>A influ\u00eancia da alimenta\u00e7\u00e3o sobre o excesso de peso infantil tem sido investigada por pesquisas cient\u00edficas que analisam n\u00e3o apenas a quantidade consumida, mas tamb\u00e9m a composi\u00e7\u00e3o dos alimentos e os padr\u00f5es alimentares.\u00a0Uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica e metan\u00e1lise publicada em 2026, que reuniu 23 estudos com aproximadamente 155 mil adolescentes, identificou uma associa\u00e7\u00e3o entre o maior consumo de alimentos ultraprocessados e o excesso de peso. Na compara\u00e7\u00e3o entre os grupos de maior e menor consumo, os pesquisadores observaram uma chance 63% maior de sobrepeso ou obesidade entre os adolescentes com maior ingest\u00e3o desses produtos.\u00b3\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados n\u00e3o significam que o consumo de um alimento isolado determine a obesidade. Por se tratar de uma an\u00e1lise de estudos observacionais, a pesquisa tamb\u00e9m n\u00e3o estabelece uma rela\u00e7\u00e3o direta de causa e efeito. O achado refor\u00e7a, por\u00e9m, a necessidade de observar o padr\u00e3o alimentar ao longo do tempo.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a preven\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve se limitar \u00e0 retirada de doces ou \u00e0 proibi\u00e7\u00e3o de determinados alimentos. Uma festa de anivers\u00e1rio, um chocolate ou uma sobremesa especial n\u00e3o determinam, isoladamente, o peso de uma crian\u00e7a. O que merece aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a frequ\u00eancia do consumo, a qualidade da alimenta\u00e7\u00e3o cotidiana e o ambiente em que as escolhas acontecem.\u00a0\u201cDoces e outros alimentos n\u00e3o precisam ser tratados como proibidos, mas devem fazer parte de uma alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada e n\u00e3o ser utilizados como recompensa por bom comportamento\u201d, explica Paula.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0A orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feij\u00e3o, ovos e carnes, e evitar que produtos ultraprocessados ocupem o lugar das refei\u00e7\u00f5es habituais. A participa\u00e7\u00e3o dos adultos nesse processo contribui para que as mudan\u00e7as n\u00e3o sejam percebidas como uma puni\u00e7\u00e3o dirigida exclusivamente \u00e0 crian\u00e7a.\u00a0O cuidado com a obesidade infantil tamb\u00e9m envolve outros fatores.<\/p>\n\n\n\n<p> O Centro de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos Estados Unidos (CDC) destaca que padr\u00f5es de sono, atividade f\u00edsica, fatores gen\u00e9ticos e condi\u00e7\u00f5es do ambiente familiar influenciam o desenvolvimento da obesidade. Segundo a institui\u00e7\u00e3o, crian\u00e7as com obesidade apresentam maior risco de problemas como apneia do sono, hipertens\u00e3o arterial, diabetes tipo 2 e altera\u00e7\u00f5es osteoarticulares.\u2074\u00a0Para crian\u00e7as e adolescentes de 5 a 17 anos, a OMS recomenda uma m\u00e9dia de pelo menos 60 minutos di\u00e1rios de atividade f\u00edsica moderada a vigorosa ao longo da semana. Isso n\u00e3o significa necessariamente praticar esportes competitivos ou frequentar academias. Brincar ao ar livre, andar de bicicleta, dan\u00e7ar, pular corda e jogar bola s\u00e3o formas de incorporar movimento ao cotidiano.\u2075<\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0Outro fator relevante \u00e9 o sono. Manter hor\u00e1rios regulares para dormir, reduzir o tempo sedent\u00e1rio e criar oportunidades para atividades f\u00edsicas s\u00e3o medidas que podem contribuir para uma rotina mais saud\u00e1vel.\u00a0\u201cCrian\u00e7as aprendem muito mais observando os adultos do que ouvindo orienta\u00e7\u00f5es. Por isso, mudan\u00e7as que envolvem toda a fam\u00edlia costumam ser mais sustent\u00e1veis\u201d, afirma Paula F\u00e1brega.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o excesso de peso exige acompanhamento m\u00e9dico?\u00a0A identifica\u00e7\u00e3o da obesidade infantil n\u00e3o deve ser feita apenas pela apar\u00eancia ou pelo n\u00famero indicado na balan\u00e7a. Diferentemente dos adultos, a avalia\u00e7\u00e3o do IMC em crian\u00e7as e adolescentes considera idade e sexo, al\u00e9m da evolu\u00e7\u00e3o do crescimento e do desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O acompanhamento pedi\u00e1trico permite avaliar a trajet\u00f3ria de crescimento, os h\u00e1bitos de vida, o hist\u00f3rico familiar e a necessidade de investigar poss\u00edveis altera\u00e7\u00f5es metab\u00f3licas. Quando indicado, o cuidado pode envolver diferentes especialidades, incluindo endocrinologia, nutri\u00e7\u00e3o e acompanhamento psicol\u00f3gico.\u00a0A abordagem tamb\u00e9m precisa evitar coment\u00e1rios depreciativos sobre o corpo. <\/p>\n\n\n\n<p>O estigma relacionado ao peso pode contribuir para sofrimento emocional, isolamento social e dificuldades na rela\u00e7\u00e3o com a alimenta\u00e7\u00e3o.\u00a0\u201cO objetivo \u00e9 ensinar a crian\u00e7a a cuidar de si, e n\u00e3o faz\u00ea-la sentir vergonha do pr\u00f3prio corpo\u201d, afirma Paula. Para a especialista, o cuidado deve ser constru\u00eddo com orienta\u00e7\u00f5es adequadas \u00e0 idade e \u00e0 realidade de cada fam\u00edlia, sem solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas ou restri\u00e7\u00f5es alimentares estabelecidas sem avalia\u00e7\u00e3o profissional.\u201cA melhor preven\u00e7\u00e3o come\u00e7a com pequenas escolhas feitas todos os dias\u201d, conclui Paula F\u00e1brega.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Dados da OMS mostram que preval\u00eancia passou de 1,6% para 17,4% entre crian\u00e7as e adolescentes; endocrinologista do S\u00edrio-Liban\u00eas explica por que a preven\u00e7\u00e3o exige mudan\u00e7as <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=19175\" title=\"Obesidade infantil no Brasil cresce mais de dez vezes em quatro d\u00e9cadas e acende alerta para riscos metab\u00f3licos\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4077,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/obesidadeinfant.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19175"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19175"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19175\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19176,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19175\/revisions\/19176"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19175"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19175"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19175"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}