{"id":19098,"date":"2026-09-29T14:10:00","date_gmt":"2026-09-29T17:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=19098"},"modified":"2026-10-04T14:11:45","modified_gmt":"2026-10-04T17:11:45","slug":"predios-que-respiram-a-arquitetura-que-ajuda-a-enfrentar-o-calor-sem-depender-do-ar-condicionado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=19098","title":{"rendered":"Pr\u00e9dios que respiram: a arquitetura que ajuda a enfrentar o calor sem depender do ar-condicionado"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o da primavera e a eleva\u00e7\u00e3o gradual das temperaturas, o projeto das edifica\u00e7\u00f5es ganha um papel central na busca por ambientes mais confort\u00e1veis sem depender exclusivamente do ar-condicionado. A chamada arquitetura bioclim\u00e1tica considera as caracter\u00edsticas do clima e do local desde o planejamento da constru\u00e7\u00e3o, utilizando fatores como dire\u00e7\u00e3o dos ventos, incid\u00eancia solar, temperatura m\u00e9dia e umidade para definir as melhores solu\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Um estudo de 2023 realizado pela Universidade Federal da Integra\u00e7\u00e3o Latino-Americana (UNILA) apontou que a implementa\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias bioclim\u00e1ticas em habita\u00e7\u00f5es populares reduziu o consumo de energia em at\u00e9 82,6%, com o percentual de horas dentro de uma faixa de temperatura tida como confort\u00e1vel ficando em torno de 80% do dia. O investimento adicional necess\u00e1rio para a implementa\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias n\u00e3o chegou a 7% do valor total da edifica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 nesse contexto que aparece a express\u00e3o \u201cpr\u00e9dio que respira\u201d. A ideia est\u00e1 relacionada a edifica\u00e7\u00f5es que favorecem a renova\u00e7\u00e3o natural do ar e aproveitam as condi\u00e7\u00f5es do ambiente para melhorar o conforto interno. Segundo Vitor Del Giudice Pena, professor de Arquitetura e Urbanismo da UNIASSELVI, um dos principais recursos \u00e9 a ventila\u00e7\u00e3o cruzada, que permite a circula\u00e7\u00e3o do ar entre diferentes aberturas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9 apenas abrir grandes janelas. O projeto precisa entender de onde o vento vem, por onde ele entra, como ele percorre o ambiente e por onde ele sai\u201d, explica Vitor. Para isso, a posi\u00e7\u00e3o das janelas, a orienta\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a presen\u00e7a de constru\u00e7\u00f5es vizinhas precisam ser consideradas. Em situa\u00e7\u00f5es nas quais a ventila\u00e7\u00e3o natural n\u00e3o \u00e9 suficiente, sistemas mec\u00e2nicos de ventila\u00e7\u00e3o ou exaust\u00e3o podem complementar a estrat\u00e9gia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm alguns projetos mais espec\u00edficos tamb\u00e9m podem ser utilizadas estrat\u00e9gias mais complexas, como torres de ventila\u00e7\u00e3o, p\u00e1tios internos ou sistemas subterr\u00e2neos de condicionamento do ar\u201d, complementa o especialista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cada clima exige uma resposta<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A arquitetura bioclim\u00e1tica pode ser aplicada tanto em grandes edif\u00edcios quanto em resid\u00eancias, mas as solu\u00e7\u00f5es precisam ser adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de cada regi\u00e3o brasileira. \u201cNosso pa\u00eds possui diferentes zonas clim\u00e1ticas e as estrat\u00e9gias precisam ser adaptadas a cada uma delas. Uma solu\u00e7\u00e3o que funciona muito bem em uma regi\u00e3o mais quente, como o Nordeste ou o Centro-Oeste, pode n\u00e3o ser a melhor escolha para uma regi\u00e3o fria, como o Sul ou o Sudeste\u201d, afirma Pena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da ventila\u00e7\u00e3o cruzada, que funcionaria em boa parte dos contextos brasileiros, h\u00e1 outras solu\u00e7\u00f5es mais espec\u00edficas que podem ser avaliadas na cria\u00e7\u00e3o de um projeto arquitet\u00f4nico. \u201cPodemos trabalhar com sombreamento das fachadas e das aberturas; orienta\u00e7\u00e3o adequada da edifica\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao nascente e ao poente do sol; prote\u00e7\u00e3o contra a radia\u00e7\u00e3o solar direta; utiliza\u00e7\u00e3o de materiais apropriados e, dependendo da situa\u00e7\u00e3o, estrat\u00e9gias como o \u2018efeito chamin\u00e9\u2019, com aberturas em diferentes alturas para facilitar a sa\u00edda do ar quente\u201d, enumera o professor da UNIASSELVI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Material certo para o contexto da edifica\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha dos materiais tamb\u00e9m interfere diretamente no comportamento t\u00e9rmico das constru\u00e7\u00f5es. Caracter\u00edsticas como condutividade t\u00e9rmica, densidade e capacidade de armazenar calor determinam como cada sistema construtivo absorve, transmite e libera energia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm algumas situa\u00e7\u00f5es, podemos buscar materiais e sistemas construtivos que dificultem a transfer\u00eancia de calor, funcionando como uma esp\u00e9cie de barreira t\u00e9rmica. Em outras, podemos aproveitar a capacidade t\u00e9rmica de determinados materiais para armazenar calor e liber\u00e1-lo posteriormente, em hor\u00e1rios mais frios do dia\u201d, explica o especialista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, a decis\u00e3o n\u00e3o deve considerar apenas o material isoladamente, mas sua aplica\u00e7\u00e3o em conjunto com o sistema construtivo e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas do local. \u201cN\u00e3o existe simplesmente um \u2018material melhor\u2019 para o conforto t\u00e9rmico. O mais importante \u00e9 entender qual \u00e9 o comportamento daquele material dentro do sistema construtivo e em rela\u00e7\u00e3o ao clima onde a edifica\u00e7\u00e3o est\u00e1 localizada\u201d, explica Pena.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u2018Telhado verde\u2019 vai al\u00e9m da est\u00e9tica<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outra estrat\u00e9gia que pode ser incorporada aos projetos s\u00e3o os \u2018telhados verdes\u2019, sistemas de cobertura de edifica\u00e7\u00f5es que recebem vegeta\u00e7\u00e3o, reduzindo a transfer\u00eancia direta da radia\u00e7\u00e3o solar para a cobertura e contribuindo para melhorar o desempenho t\u00e9rmico do edif\u00edcio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAl\u00e9m da est\u00e9tica, o telhado verde pode funcionar como uma estrat\u00e9gia de desempenho ambiental. Mas ele exige projeto adequado, execu\u00e7\u00e3o especializada e manuten\u00e7\u00e3o posterior, justamente para evitar problemas\u201d, ressalta o professor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O sistema tamb\u00e9m pode ajudar no gerenciamento das \u00e1guas pluviais, retendo parte da chuva e liberando-a gradualmente. Mas, para isso, a ado\u00e7\u00e3o exige planejamento espec\u00edfico. \u201c\u00c9 importante destacar que telhados verdes n\u00e3o s\u00e3o simplesmente terra e plantas colocadas sobre o edif\u00edcio. Existe uma composi\u00e7\u00e3o de camadas necess\u00e1ria para que o sistema funcione corretamente, como estrutura apropriada, impermeabiliza\u00e7\u00e3o, sistemas de drenagem e filtragem, entre outras camadas espec\u00edficas\u201d, afirma Vitor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que depender de uma tecnologia isolada, a arquitetura bioclim\u00e1tica busca integrar diferentes decis\u00f5es desde o in\u00edcio do projeto. Ventila\u00e7\u00e3o, orienta\u00e7\u00e3o, sombreamento, materiais e vegeta\u00e7\u00e3o podem atuar em conjunto para aproveitar melhor as condi\u00e7\u00f5es naturais do local e contribuir para o conforto dos usu\u00e1rios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Com a aproxima\u00e7\u00e3o da primavera e a eleva\u00e7\u00e3o gradual das temperaturas, o projeto das edifica\u00e7\u00f5es ganha um papel central na busca por ambientes mais confort\u00e1veis <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=19098\" title=\"Pr\u00e9dios que respiram: a arquitetura que ajuda a enfrentar o calor sem depender do ar-condicionado\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":19099,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/image-1.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19098"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=19098"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19098\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19100,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/19098\/revisions\/19100"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/19099"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=19098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=19098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=19098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}