{"id":18862,"date":"2026-07-29T14:43:00","date_gmt":"2026-07-29T17:43:00","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18862"},"modified":"2026-08-01T14:44:54","modified_gmt":"2026-08-01T17:44:54","slug":"por-que-o-39-a-38-pode-enganar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18862","title":{"rendered":"Por que o 39 a 38 pode enganar"},"content":{"rendered":"\n<p>A Genial\/Quaest deu empate t\u00e9cnico entre ACM Neto e Jer\u00f4nimo Rodrigues. Quem parar no n\u00famero da manchete vai perder o que a pesquisa tem de mais relevante para entender a sucess\u00e3o baiana.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por Jerbson Moraes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Advogado, mestrando em Direito e colunista<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de julho de 2022, a Genial\/Quaest publicou n\u00fameros que pareciam encerrar a disputa pelo governo da Bahia antes mesmo de a campanha come\u00e7ar. ACM Neto tinha 61% das inten\u00e7\u00f5es de voto. Jer\u00f4nimo Rodrigues, 11%. Cinquenta pontos de diferen\u00e7a. Quase tr\u00eas meses depois, na v\u00e9spera do primeiro turno, o Datafolha ainda projetava o ex-prefeito de Salvador com 51% dos votos v\u00e1lidos contra 38% do petista. No dia 2 de outubro, apuradas as urnas, o placar era quase o inverso: 49,33% para Jer\u00f4nimo, 40,88% para ACM Neto. Faltou menos de um ponto percentual para que a elei\u00e7\u00e3o terminasse ali.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o conto essa hist\u00f3ria para sugerir que ela v\u00e1 se repetir. N\u00e3o vai, ao menos n\u00e3o nos mesmos termos. Em 2022, o candidato governista era um desconhecido em ascens\u00e3o, apresentado ao eleitorado pela propaganda de r\u00e1dio e TV e pelo aval de Rui Costa. Hoje \u00e9 um governador com quatro anos de gest\u00e3o para defender, o que muda tudo, inclusive para pior. O que aquele epis\u00f3dio autoriza concluir \u00e9 bem menos ambicioso e bem mais \u00fatil: na Bahia, pesquisa de julho j\u00e1 se mostrou um p\u00e9ssimo instrumento para prever outubro. Serve para medir o humor do eleitor agora. N\u00e3o serve para fechar a conta.<\/p>\n\n\n\n<p>A rodada divulgada em 29 de julho traz ACM Neto com 39% e Jer\u00f4nimo com 38% nos dois cen\u00e1rios testados de primeiro turno. S\u00e3o 1.200 entrevistas presenciais, feitas entre os dias 23 e 27 em 61 munic\u00edpios, margem de erro de tr\u00eas pontos e n\u00edvel de confian\u00e7a de 95%, tudo registrado na Justi\u00e7a Eleitoral sob o n\u00famero BA-02331\/2026. Do ponto de vista estat\u00edstico, ningu\u00e9m est\u00e1 na frente. E h\u00e1 um dado que quase nunca sobrevive \u00e0 manchete: 44% dos entrevistados dizem que ainda podem mudar o voto para governador.<\/p>\n\n\n\n<p>Parar no 39 a 38 n\u00e3o chega a ser erro, mas \u00e9 pouco. Inten\u00e7\u00e3o de voto estimulada, em julho, mede tanto reconhecimento de nome quanto convic\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, e reconhecimento de nome \u00e9 exatamente o que se altera quando a propaganda entra no ar. A pesquisa \u00e9 uma fotografia. Elei\u00e7\u00e3o \u00e9 filme.<\/p>\n\n\n\n<p>O que est\u00e1 embaixo do empate interessa mais. A gest\u00e3o de Jer\u00f4nimo tem 57% de aprova\u00e7\u00e3o contra 34% de desaprova\u00e7\u00e3o, saldo de 23 pontos, ligeiramente melhor do que o de abril, quando marcava 56% a 33%. Cinquenta e dois por cento dos entrevistados acham que ele merece ser reeleito; 41% pensam o contr\u00e1rio. Na espont\u00e2nea, aquela em que o entrevistador n\u00e3o oferece nomes, o governador aparece com 18% e ACM Neto com 17%. Um ponto, muito abaixo da margem de erro, o que quer dizer que ningu\u00e9m lidera nada ali. Quer dizer apenas que a lembran\u00e7a espont\u00e2nea do eleitor baiano n\u00e3o est\u00e1 punindo o governo, e isso j\u00e1 \u00e9 alguma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhum desses n\u00fameros ganha elei\u00e7\u00e3o. Governador bem avaliado que perde a reelei\u00e7\u00e3o \u00e9 figura recorrente na hist\u00f3ria pol\u00edtica brasileira, e quem acompanha a Bahia sabe que avalia\u00e7\u00e3o de governo e voto para governador nem sempre andam juntos. Ainda assim, h\u00e1 uma diferen\u00e7a pr\u00e1tica entre disputar o segundo mandato com a opini\u00e3o p\u00fablica a favor e disput\u00e1-lo contra ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Vem da\u00ed o segundo ponto. Na mesma pesquisa, Lula tem 52% na Bahia contra 18% de Fl\u00e1vio Bolsonaro. Trinta e quatro pontos. Entre o desempenho do presidente no estado e o do seu candidato a governador existe hoje um v\u00e3o de catorze pontos, e \u00e9 dentro desse v\u00e3o que a elei\u00e7\u00e3o baiana vai ser disputada.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi mais ou menos assim em 2022. Conforme a campanha nacionalizou a disputa estadual, boa parte do eleitor que j\u00e1 tinha o voto presidencial resolvido foi buscando coer\u00eancia no voto para governador. A propaganda gratuita fez o trabalho de sempre: apresentou o desconhecido, colou nele a gest\u00e3o anterior e o palanque de Lula e empurrou a disputa para a polariza\u00e7\u00e3o que transforma voto disperso em voto \u00fatil. A diferen\u00e7a \u00e9 que agora quase nada disso est\u00e1 por fazer. Jer\u00f4nimo \u00e9 conhecido, governa, tem prefeitos, deputados e diret\u00f3rios espalhados pelo interior e divide palanque com um presidente que lidera com folga no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 um n\u00famero de 2022 que quase nunca aparece nas an\u00e1lises. No segundo turno, Jer\u00f4nimo foi o mais votado em 364 dos 417 munic\u00edpios da Bahia. ACM Neto venceu em 53. A elei\u00e7\u00e3o baiana n\u00e3o se decide em Salvador, e o interior, onde a m\u00e1quina estadual e as prefeituras aliadas pesam mais, \u00e9 territ\u00f3rio assentado do governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem ler a pesquisa s\u00f3 at\u00e9 aqui vai ler mal, porque ela tamb\u00e9m traz problemas s\u00e9rios para o Pal\u00e1cio de Ondina. A rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 o mais evidente deles: 40% dos entrevistados dizem conhecer Jer\u00f4nimo e afirmam que n\u00e3o votariam nele de jeito nenhum, contra 33% de ACM Neto. Rejei\u00e7\u00e3o alta \u00e9 o obst\u00e1culo cl\u00e1ssico \u00e0 vit\u00f3ria em primeiro turno, porque o crescimento na reta final depende do eleitor que j\u00e1 ouviu falar do candidato e resolveu que n\u00e3o vota nele.<\/p>\n\n\n\n<p>Some-se a isso a simula\u00e7\u00e3o de segundo turno, em que ACM Neto marca 43% contra 39%. A diferen\u00e7a cabe na margem de erro, mas vem se repetindo desde abril, quando o placar era 41% a 38%, e sugere que os votos hoje dispersos n\u00e3o se acomodam automaticamente do lado do governo no confronto direto.<\/p>\n\n\n\n<p>O dado mais consequente, por\u00e9m, \u00e9 o religioso. Entre cat\u00f3licos, Jer\u00f4nimo ganha de 45% a 37%, e a aprova\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o chega a 63%. Entre evang\u00e9licos, o jogo vira: 47% para ACM Neto contra 29%, com aprova\u00e7\u00e3o e desaprova\u00e7\u00e3o empatadas em 44%. \u00c9 um eleitorado grande, capilarizado nos bairros das capitais e nas cidades m\u00e9dias do interior, mobilizado como poucos, e \u00e9 ali que o alinhamento do ex-prefeito ao campo \u00e0 direita, depois do rompimento do Uni\u00e3o Brasil com o governo federal, tende a render mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Reconhecido tudo isso, continuo achando que a pergunta que domina o debate baiano est\u00e1 mal feita. Todo mundo quer saber se vai haver segundo turno. A pergunta tecnicamente interessante \u00e9 outra: existem condi\u00e7\u00f5es objetivas para o governador alcan\u00e7ar a maioria absoluta dos votos v\u00e1lidos j\u00e1 no dia 4 de outubro?<\/p>\n\n\n\n<p>Um indicador isolado n\u00e3o diz nada. V\u00e1rios apontando para o mesmo lado tampouco provam resultado, mas j\u00e1 autorizam falar em tend\u00eancia. Ainda v\u00eam por a\u00ed as conven\u00e7\u00f5es, os debates, o hor\u00e1rio eleitoral, os acordos de \u00faltima hora e os fatos novos que sempre aparecem, e a Bahia, 2022 est\u00e1 a\u00ed para lembrar, costuma decidir tarde. S\u00f3 que quem quiser acertar o progn\u00f3stico faria melhor olhando menos para o ponto de diferen\u00e7a no alto da tabela e mais para os catorze pontos que separam Lula de Jer\u00f4nimo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa n\u00e3o autoriza dizer que Jer\u00f4nimo Rodrigues vence no primeiro turno. Tamb\u00e9m n\u00e3o autoriza dizer o contr\u00e1rio. Ela faz outra coisa, talvez mais importante: pela primeira vez desde o in\u00edcio da sucess\u00e3o estadual, inverte o \u00f4nus da prova.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem sustenta que a elei\u00e7\u00e3o ser\u00e1 inevitavelmente decidida no segundo turno n\u00e3o pode mais se apoiar apenas nas pesquisas. Vai ter de explicar por que um governador com aprova\u00e7\u00e3o majorit\u00e1ria, com maioria querendo sua recondu\u00e7\u00e3o, empatado na lembran\u00e7a espont\u00e2nea, com arco de alian\u00e7as montado e um palanque presidencial dominante na Bahia deixaria de converter tudo isso em maioria absoluta dos votos v\u00e1lidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A d\u00favida deixou de ser se existe caminho para o primeiro turno. Passou a ser por que esse caminho n\u00e3o existiria.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fontes dos dados citados: Genial\/Quaest, pesquisa registrada sob o n\u00ba BA-02331\/2026 (1.200 entrevistas presenciais, 61 munic\u00edpios, 23 a 27 de julho de 2026, margem de erro de 3 p.p., 95% de confian\u00e7a); Genial\/Quaest de 15 de julho de 2022; Datafolha, v\u00e9spera do 1\u00ba turno de 2022; Tribunal Superior Eleitoral, resultados de 2022.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"912\" height=\"531\" src=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18863\" srcset=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image.png 912w, https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-300x175.png 300w, https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image-768x447.png 768w\" sizes=\"(max-width: 912px) 100vw, 912px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A Genial\/Quaest deu empate t\u00e9cnico entre ACM Neto e Jer\u00f4nimo Rodrigues. Quem parar no n\u00famero da manchete vai perder o que a pesquisa tem de <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18862\" title=\"Por que o 39 a 38 pode enganar\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":18863,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/image.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18862"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18862"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18862\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18864,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18862\/revisions\/18864"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/18863"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18862"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18862"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18862"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}