{"id":18697,"date":"2026-06-26T11:35:44","date_gmt":"2026-06-26T14:35:44","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18697"},"modified":"2026-06-26T11:35:44","modified_gmt":"2026-06-26T14:35:44","slug":"raymundo-veloso-e-a-politica-como-oficio-de-servir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18697","title":{"rendered":"Raymundo Veloso e a pol\u00edtica como of\u00edcio de servir"},"content":{"rendered":"\n<p>Algumas mortes n\u00e3o cabem dentro de uma fam\u00edlia. Extravasam, ganham as ruas e obrigam a cidade inteira a parar diante de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A de Raymundo Veloso, aos 88 anos, \u00e9 uma delas. Com sua partida, Ilh\u00e9us perde mais do que um nome de sua vida pol\u00edtica. Perde um dos \u00faltimos representantes de uma gera\u00e7\u00e3o que compreendia o mandato como um dever, e a pol\u00edtica como um aut\u00eantico of\u00edcio de servir.<\/p>\n\n\n\n<p>Advogado, radialista, vereador, presidente da C\u00e2mara Municipal e deputado federal, Raymundo Veloso percorreu praticamente todos os degraus da vida p\u00fablica sem jamais perder o contato com a gente comum, que sempre foi o centro de sua atua\u00e7\u00e3o. Levou para o r\u00e1dio a linguagem simples que aprendera no exerc\u00edcio da advocacia e levou para Bras\u00edlia as demandas que ouvia diariamente do povo do sul da Bahia. Na educa\u00e7\u00e3o, na infraestrutura, na defesa da lavoura cacaueira em seus anos mais dif\u00edceis e em tantas outras frentes, deixou marcas que resistem ao tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Seria injusto, contudo, resumir sua trajet\u00f3ria aos cargos que ocupou.<\/p>\n\n\n\n<p>Para mim, esta \u00e9 uma despedida que toca profundamente o cora\u00e7\u00e3o. Convivi com Raymundo Veloso e tive o privil\u00e9gio de construir uma amizade fraterna com seu filho, o advogado M\u00e1rcio Veloso \u2014 colega de profiss\u00e3o, amigo e irm\u00e3o que a vida me deu. A partida de M\u00e1rcio, anos atr\u00e1s, abriu uma lacuna que o tempo jamais conseguiu preencher. Agora, a despedida de seu pai reacende essa mesma saudade e devolve \u00e0 mem\u00f3ria momentos que permanecem vivos. H\u00e1 amizades que nem o tempo nem a morte conseguem desfazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Conheci de perto a dignidade daquela fam\u00edlia, os valores cultivados em seu lar e a forma respeitosa com que tratavam as pessoas. Raymundo Veloso dispensava ao cidad\u00e3o mais simples a mesma aten\u00e7\u00e3o e cortesia que oferecia \u00e0s maiores autoridades. Era dessa postura serena, conciliadora e profundamente humana que nascia o respeito que conquistou, inclusive entre advers\u00e1rios pol\u00edticos. N\u00e3o por acaso, muitos passaram a cham\u00e1-lo de \u201cAdvogado do Povo\u201d, express\u00e3o que n\u00e3o surgiu como slogan de campanha, mas como reconhecimento espont\u00e2neo de quem testemunhou sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol\u00edtica costuma ser ingrata com a mem\u00f3ria dos homens p\u00fablicos. Os mandatos terminam, novos nomes surgem e, silenciosamente, o esquecimento avan\u00e7a. Permanecem, contudo, aqueles cuja contribui\u00e7\u00e3o ultrapassa as disputas eleitorais e passa a integrar a pr\u00f3pria hist\u00f3ria da cidade. Raymundo Veloso pertence a esse grupo. Sua trajet\u00f3ria j\u00e1 n\u00e3o se limita a partidos ou correntes pol\u00edticas; tornou-se patrim\u00f4nio da mem\u00f3ria de Ilh\u00e9us e do sul da Bahia.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento de dor, abra\u00e7o fraternalmente toda a fam\u00edlia Veloso, seus amigos e todos aqueles que tiveram o privil\u00e9gio de conviver com ele. Fa\u00e7o-o n\u00e3o apenas como advogado, analista pol\u00edtico ou colunista, mas como algu\u00e9m que conheceu, por dentro, a grandeza humana dessa fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Que Deus conforte os cora\u00e7\u00f5es dos que ficam e receba Raymundo Veloso em Sua paz eterna.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem parte. O exemplo permanece. E h\u00e1 legados que o tempo n\u00e3o apaga, porque continuam vivos na mem\u00f3ria de um povo e na hist\u00f3ria de uma cidade.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"967\" height=\"567\" src=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-29.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-18698\" srcset=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-29.png 967w, https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-29-300x176.png 300w, https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/image-29-768x450.png 768w\" sizes=\"(max-width: 967px) 100vw, 967px\" \/><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Algumas mortes n\u00e3o cabem dentro de uma fam\u00edlia. Extravasam, ganham as ruas e obrigam a cidade inteira a parar diante de sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. 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