{"id":18591,"date":"2026-06-11T12:27:00","date_gmt":"2026-06-11T15:27:00","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18591"},"modified":"2026-06-12T12:28:36","modified_gmt":"2026-06-12T15:28:36","slug":"neurodivergencia-nao-e-barreira-para-aprender-ingles-e-a-ciencia-explica-por-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18591","title":{"rendered":"Neurodiverg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 barreira para aprender ingl\u00eas e a ci\u00eancia explica por qu\u00ea"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Pesquisas recentes derrubam um mito comum e mostram que, quando bem conduzido, o bilinguismo pode fortalecer mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o e autonomia em crian\u00e7as com TDAH e TEA<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Muitas fam\u00edlias com crian\u00e7as diagnosticadas com TDAH, Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou dislexia recebem, informalmente, uma recomenda\u00e7\u00e3o sem respaldo cient\u00edfico: suspender ou adiar o aprendizado de um segundo idioma para evitar sobrecarga cognitiva. Pesquisas recentes, no entanto, apontam na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma revis\u00e3o de escopo publicada em setembro de 2025 no peri\u00f3dico cient\u00edfico Children, da Universidade Metropolitana de Hong Kong, analisou estudos com crian\u00e7as entre 4 e 12 anos diagnosticadas com transtornos do neurodesenvolvimento e a conclus\u00e3o \u00e9 que crian\u00e7as autistas expostas a dois idiomas apresentaram desempenho superior em mem\u00f3ria de trabalho, flexibilidade cognitiva e controle inibit\u00f3rio em compara\u00e7\u00e3o com pares monol\u00edngues (exatamente as fun\u00e7\u00f5es executivas mais afetadas pelo TEA). O British Council, refer\u00eancia global em pol\u00edticas de ensino de idiomas, corrobora o achado e afirma que pessoas neurodivergentes n\u00e3o apenas s\u00e3o capazes de aprender idiomas adicionais, como tendem a se beneficiar especialmente do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Claudia Peruccini, gerente pedag\u00f3gica da Red Balloon, rede de ensino de ingl\u00eas refer\u00eancia no segmento h\u00e1 mais de 55 anos, aponta que o problema est\u00e1 na premissa que orienta o conselho dado \u00e0s fam\u00edlias. &#8220;O que muda para o estudante neurodivergente n\u00e3o \u00e9 o ponto de chegada, \u00e9 a rota de processamento. O aprendizado pode ser interno por um longo per\u00edodo antes de se manifestar na fala, e isso n\u00e3o deve ser confundido com aus\u00eancia de progresso&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse fen\u00f4meno, chamado na literatura acad\u00eamica de Silent Period, descreve a fase de absor\u00e7\u00e3o interna que precede a produ\u00e7\u00e3o oral, pode ser mais prolongada em estudantes com perfis espec\u00edficos de neurodesenvolvimento. Reconhecer esse processo \u00e9 essencial para que educadores e fam\u00edlias n\u00e3o interpretem sil\u00eancio como fracasso.<\/p>\n\n\n\n<p>Peruccini aponta que tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es fazem diferen\u00e7a decisiva no aprendizado: um ambiente com rotina previs\u00edvel e menor sobrecarga sensorial; tempo adequado para processamento e resposta; e segmenta\u00e7\u00e3o de instru\u00e7\u00f5es com apoio visual. A flexibilidade nas formas de avalia\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 central. &#8220;Um adolescente com fobia de exposi\u00e7\u00e3o oral pode demonstrar profici\u00eancia por meio de um v\u00eddeo gravado em vez de uma apresenta\u00e7\u00e3o presencial. Isso \u00e9 uma adapta\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica leg\u00edtima e embasada, n\u00e3o uma concess\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do impacto individual, pesquisadores da \u00e1rea t\u00eam destacado um efeito coletivo: a presen\u00e7a de estudantes neurodivergentes em turmas regulares de idiomas tende a desenvolver empatia, colabora\u00e7\u00e3o e flexibilidade cognitiva em todos os alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os marcos de evolu\u00e7\u00e3o em estudantes neurodivergentes frequentemente aparecem antes na compreens\u00e3o do que na produ\u00e7\u00e3o oral. Compreender comandos, usar espontaneamente express\u00f5es no novo idioma ou engajar-se de forma mais ativa em atividades com colegas s\u00e3o indicadores t\u00e3o relevantes quanto a flu\u00eancia na conversa\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 importante lembrar que a fam\u00edlia tem papel decisivo em reconhecer essas fases.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que essa jornada seja sustent\u00e1vel, Peruccini defende uma atua\u00e7\u00e3o integrada entre escola regular, escola de idiomas, fam\u00edlia e equipe multidisciplinar. &#8220;O diagn\u00f3stico \u00e9 um ponto de partida para entender como uma crian\u00e7a aprende. N\u00e3o \u00e9 um teto para o que ela pode alcan\u00e7ar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Pesquisas recentes derrubam um mito comum e mostram que, quando bem conduzido, o bilinguismo pode fortalecer mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o e autonomia em crian\u00e7as com TDAH e <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18591\" title=\"Neurodiverg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 barreira para aprender ingl\u00eas e a ci\u00eancia explica por qu\u00ea\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":16956,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/07\/menina-com-autismo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18591"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18591"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18591\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18592,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18591\/revisions\/18592"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/16956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}