{"id":18344,"date":"2026-04-15T13:43:32","date_gmt":"2026-04-15T16:43:32","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18344"},"modified":"2026-04-15T13:43:42","modified_gmt":"2026-04-15T16:43:42","slug":"historias-com-animais-e-monstros-ajudam-criancas-hospitalizadas-a-lidar-com-medo-e-ansiedade-indica-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18344","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias com animais e monstros ajudam crian\u00e7as hospitalizadas a lidar com medo e ansiedade, indica estudo"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Pesquisa com 174 pacientes pedi\u00e1tricos mostra que personagens fant\u00e1sticos e animais humanizados despertam mais interesse durante sess\u00f5es de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 se sabe que a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias apresenta resultados positivos para crian\u00e7as hospitalizadas, mas ser\u00e1 que qualquer hist\u00f3ria produz o mesmo efeito? De acordo com um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto D\u2019Or de Pesquisa e Ensino, em parceria com a Associa\u00e7\u00e3o Viva e Deixe Viver, crian\u00e7as internadas tendem a preferir hist\u00f3rias protagonizadas por animais humanizados e monstros em vez de personagens humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento analisou as escolhas de leitura de 174 crian\u00e7as entre 6 e 10 anos internadas no Hospital de Cl\u00ednicas da Unicamp (HC), em Campinas (SP), e no Hospital da Crian\u00e7a da Rede D\u2019Or S\u00e3o Luiz (HSL), em S\u00e3o Paulo (SP), durante sess\u00f5es de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias realizadas por volunt\u00e1rios da Viva e Deixe Viver, associa\u00e7\u00e3o que h\u00e1 28 anos promove afeto e acolhimento a crian\u00e7as hospitalizadas por meio da leitura. Atualmente, em Salvador, a Viva possui 83 volunt\u00e1rios que atuam em dez hospitais: Hospital Geral do Estado da Bahia (HGE), Hospital Geral Roberto Santos, Hospital Irm\u00e3 Dulce, Hospital S\u00e3o Rafael, Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Instituto Couto Maia, Hospital Alian\u00e7a, Hospital Martag\u00e3o Gesteira, IPERBA e Hospital Geral Menandro de Faria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados mostram que, tanto na rede p\u00fablica quanto na privada de atendimento m\u00e9dico, e independentemente do perfil socioecon\u00f4mico das fam\u00edlias, as crian\u00e7as selecionaram majoritariamente t\u00edtulos que traziam animais antropomorfizados ou personagens monstruosos com caracter\u00edsticas, emo\u00e7\u00f5es ou comportamentos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os livros mais escolhidos estavam hist\u00f3rias protagonizadas por personagens como ratos, elefantes, macacos e criaturas fant\u00e1sticas. J\u00e1 t\u00edtulos cujas capas apresentavam pessoas, adultos ou crian\u00e7as, foram pouco selecionados, mesmo quando os protagonistas tinham idade pr\u00f3xima \u00e0 dos pacientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os livros mais selecionados nas sess\u00f5es de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias aparecem obras como&nbsp;<em>O monstro monstruoso da caverna cavernosa, Macaco Danado<\/em>,&nbsp;<em>O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>Monstro Rosa<\/em>. Em comum, esses t\u00edtulos apresentam personagens expressivos, envolvidos em situa\u00e7\u00f5es l\u00fadicas ou bem-humoradas. J\u00e1 narrativas protagonizadas por personagens humanos, como&nbsp;<em>Aladim<\/em>,&nbsp;<em>Pin\u00f3quio<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>Malasaventuras \u2013 Safadezas do Malasartes<\/em>, tiveram menor interesse. Segundo os pesquisadores, a prefer\u00eancia por bichos e monstros pode estar associada ao car\u00e1ter simb\u00f3lico e imaginativo dessas figuras, que favorecem identifica\u00e7\u00e3o, humor e distanciamento das situa\u00e7\u00f5es reais vividas pelas crian\u00e7as durante o tratamento.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com M\u00e1rcia Abreu, pesquisadora da Unicamp, a tend\u00eancia pode estar relacionada ao papel que narrativas fant\u00e1sticas desempenham na inf\u00e2ncia, especialmente em contextos emocionalmente delicados. \u201cPersonagens n\u00e3o humanos permitem maior distanciamento da realidade imediata e podem ajudar as crian\u00e7as a lidar com sentimentos comuns durante a hospitaliza\u00e7\u00e3o, como medo, ansiedade e sensa\u00e7\u00e3o de isolamento\u201d, afirma a especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os pesquisadores, animais e monstros presentes em livros infantis costumam apresentar comportamentos humanos, como falar, expressar emo\u00e7\u00f5es e enfrentar desafios. Esse recurso facilita a identifica\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as com as hist\u00f3rias, ao mesmo tempo em que preserva um universo imaginativo. Segundo os especialistas, compreender as escolhas das pr\u00f3prias crian\u00e7as pode ajudar organiza\u00e7\u00f5es e profissionais de sa\u00fade a selecionar melhor os livros utilizados em atividades de leitura em hospitais, ampliando os benef\u00edcios emocionais dessas iniciativas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs prefer\u00eancias observadas contrastam com as escolhas feitas por adultos no mercado editorial. Enquanto nas sess\u00f5es hospitalares predominam animais e criaturas fant\u00e1sticas, rankings de vendas de literatura infantil na \u00faltima bienal destacam obras com temas sociais ou protagonismo humano, muitas vezes selecionadas por pais, educadores ou escolas\u201d, destaca M\u00e1rcia.<\/p>\n\n\n\n<p>Valdir Cimino, fundador da Viva e Deixe Viver, ressalta a import\u00e2ncia do estudo. \u201cA pesquisa tem papel fundamental ao demonstrar, com base em dados, os benef\u00edcios da conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias para crian\u00e7as hospitalizadas. Na primeira fase do estudo, foram medidos os n\u00edveis de ocitocina, horm\u00f4nio associado ao v\u00ednculo e ao bem-estar, e de cortisol, relacionado ao estresse, comprovando cientificamente a melhora cl\u00ednica dos pacientes. Esta segunda fase nos ajuda a identificar as literaturas ideais para potencializar os benef\u00edcios promovidos pela leitura\u201d, finaliza.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Metodologia &#8211;&nbsp;<\/strong>A pesquisa analisou as rea\u00e7\u00f5es e escolhas de leitura de 174 crian\u00e7as entre 6 e 10 anos internadas no Hospital de Cl\u00ednicas da Unicamp, em Campinas, e no Hospital da Crian\u00e7a da Rede D\u2019Or S\u00e3o Luiz, em S\u00e3o Paulo. Durante sess\u00f5es de cerca de 30 minutos de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, os participantes puderam escolher quais livros desejavam ouvir a partir da apresenta\u00e7\u00e3o das capas e de um breve resumo do enredo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a Associa\u00e7\u00e3o Viva e Deixe Viver:\u00a0<\/strong>Fundada em 1997 pelo paulistano Valdir Cimino, a Associa\u00e7\u00e3o Viva e Deixe Viver \u00e9 uma Organiza\u00e7\u00e3o da Sociedade Civil (OSC) pioneira em diversas frentes e pol\u00edticas p\u00fablicas. Por meio da arte de contar hist\u00f3rias, forma cidad\u00e3os conscientes da import\u00e2ncia do acolhimento e de elevar o bem-estar coletivo, a partir de valores humanos como empatia, \u00e9tica e afeto.\u00a0 A entidade tamb\u00e9m \u00e9 refer\u00eancia em educa\u00e7\u00e3o e cultura, por meio da promo\u00e7\u00e3o de atividades de ensino continuado. Nesse sentido, conta com o canal Viva e Eduque, espa\u00e7o criado para a difus\u00e3o cultural, educacional e gest\u00e3o do bem-estar para toda a sociedade. Hoje, al\u00e9m dos 601 fazedores e contadores de hist\u00f3rias volunt\u00e1rios, que visitam regularmente 89 hospitais espalhados pelo Brasil, a Associa\u00e7\u00e3o conta com o apoio das empresas\u00a0UOL, Pfizer, Instituto Helena Florisbal e Instituto PENSI, al\u00e9m da Lei Federal de Incentivo \u00e0 Cultura do Minist\u00e9rio da Cultura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Pesquisa com 174 pacientes pedi\u00e1tricos mostra que personagens fant\u00e1sticos e animais humanizados despertam mais interesse durante sess\u00f5es de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias J\u00e1 se sabe que <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18344\" title=\"Hist\u00f3rias com animais e monstros ajudam crian\u00e7as hospitalizadas a lidar com medo e ansiedade, indica estudo\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":18345,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/image-17.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18344"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18344"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18344\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18347,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18344\/revisions\/18347"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/18345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}