{"id":18078,"date":"2026-03-02T05:04:00","date_gmt":"2026-03-02T08:04:00","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18078"},"modified":"2026-03-01T23:05:04","modified_gmt":"2026-03-02T02:05:04","slug":"canetas-emagrecedoras-e-neurociencia-como-medicamentos-para-obesidade-estao-mudando-a-forma-como-o-brasileiro-se-relaciona-com-a-comida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18078","title":{"rendered":"Canetas emagrecedoras e neuroci\u00eancia: como medicamentos para obesidade est\u00e3o mudando a forma como o brasileiro se relaciona com a comida"},"content":{"rendered":"\n<p>O avan\u00e7o dos medicamentos para tratamento da obesidade tem provocado uma transforma\u00e7\u00e3o silenciosa no comportamento alimentar dos brasileiros.&nbsp;Embora essas drogas sejam frequentemente associadas \u00e0 perda de peso acelerada, seus efeitos v\u00e3o al\u00e9m da balan\u00e7a, alcan\u00e7ando circuitos cerebrais ligados \u00e0 fome, ao prazer e \u00e0 tomada de decis\u00e3o alimentar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o World&nbsp;Obesity&nbsp;Atlas 2024, mais de 56% da popula\u00e7\u00e3o adulta brasileira vive com sobrepeso ou obesidade, um cen\u00e1rio que impulsionou a populariza\u00e7\u00e3o de medicamentos que atuam na regula\u00e7\u00e3o do apetite e da saciedade. Estudos cl\u00ednicos recentes indicam que esses f\u00e1rmacos reduzem significativamente a fome impulsiva, levando a uma queda no consumo cal\u00f3rico di\u00e1rio e na frequ\u00eancia do chamado \u201ccomer autom\u00e1tico\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com&nbsp;Roseane Leandra da Rosa,&nbsp;coordenadora do curso de Nutri\u00e7\u00e3o&nbsp;da&nbsp;UNIASSELVI&nbsp;e&nbsp;Doutora em Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas,&nbsp;esse impacto ocorre porque o padr\u00e3o alimentar da popula\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 fortemente guiado por est\u00edmulos emocionais, ambientais e automatizados \u2014 processos mediados pelo c\u00e9rebro, e n\u00e3o pela fome fisiol\u00f3gica propriamente dita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cGrande parte das escolhas alimentares acontece no \u2018piloto autom\u00e1tico\u2019, ativada por estresse, ansiedade, rotina ou est\u00edmulos externos. Quando o medicamento reduz a sinaliza\u00e7\u00e3o da fome e do desejo, ele interfere diretamente nesses circuitos, o que gera a sensa\u00e7\u00e3o de \u2018controle\u2019. Mas isso n\u00e3o significa, necessariamente, consci\u00eancia alimentar\u201d, analisa&nbsp;a&nbsp;especialista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A fome n\u00e3o \u00e9 inimiga, afirma especialista<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da neuroci\u00eancia, a diminui\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica da fome pode criar uma pausa no comportamento impulsivo, mas n\u00e3o promove, por si s\u00f3, a reeduca\u00e7\u00e3o dos sinais internos. \u201cO medicamento interrompe o impulso, mas n\u00e3o ressignifica a rela\u00e7\u00e3o com a comida. O c\u00e9rebro deixa de pedir, mas n\u00e3o aprende a escolher\u201d, destaca a especialista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse efeito pode ser interpretado, de forma equivocada, como mudan\u00e7a de comportamento, quando na verdade trata-se de uma terceiriza\u00e7\u00e3o do autocontrole para o f\u00e1rmaco. Ao longo do tempo, isso pode enfraquecer a autonomia alimentar e a capacidade do indiv\u00edduo de reconhecer fome, saciedade e prazer de forma integrada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA fome n\u00e3o \u00e9 inimiga, \u00e9 um sinal biol\u00f3gico essencial. Quando ela \u00e9 suprimida sem um processo educativo, corre-se o risco de desconex\u00e3o corporal, rigidez alimentar e at\u00e9 medo de comer sem o medicamento\u201d, alerta Roseane.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Controle excessivo<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a redu\u00e7\u00e3o do comer impulsivo seja frequentemente celebrada, especialistas chamam aten\u00e7\u00e3o para um efeito colateral menos discutido: a substitui\u00e7\u00e3o do comer autom\u00e1tico por um padr\u00e3o de controle excessivo e punitivo. Sem acompanhamento nutricional e psicol\u00f3gico, a aus\u00eancia da fome pode refor\u00e7ar comportamentos de restri\u00e7\u00e3o, culpa alimentar e cren\u00e7as distorcidas sobre o corpo e o alimento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cQuando as quest\u00f5es emocionais permanecem ativas no c\u00e9rebro, mas o apetite \u00e9 silenciado, o foco deixa de ser a comida e passa a ser o controle. Isso aumenta o risco de comportamentos alimentares disfuncionais, especialmente em pessoas com&nbsp;hist\u00f3rico de ansiedade, depress\u00e3o ou transtornos alimentares\u201d, explica a especialista da UNIASSELVI.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o alimentar como eixo central<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A verdadeira mudan\u00e7a de comportamento alimentar exige mais do que&nbsp;tomar rem\u00e9dios para reduzir&nbsp;o apetite. Envolve educa\u00e7\u00e3o alimentar baseada em ci\u00eancia, fortalecimento da consci\u00eancia corporal, reconstru\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com a comida e suporte psicol\u00f3gico cont\u00ednuo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO medicamento pode at\u00e9 abrir uma janela de oportunidade, mas quem sustenta a mudan\u00e7a \u00e9 o aprendizado. Sem isso, o risco \u00e9 criar depend\u00eancia da caneta para comer \u2018certo\u2019, em vez de desenvolver habilidades internas para escolhas conscientes\u201d, conclui Roseane.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O avan\u00e7o dos medicamentos para tratamento da obesidade tem provocado uma transforma\u00e7\u00e3o silenciosa no comportamento alimentar dos brasileiros.&nbsp;Embora essas drogas sejam frequentemente associadas \u00e0 perda <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=18078\" title=\"Canetas emagrecedoras e neuroci\u00eancia: como medicamentos para obesidade est\u00e3o mudando a forma como o brasileiro se relaciona com a comida\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4077,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[6],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/obesidadeinfant.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18078"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18078"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18078\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18079,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18078\/revisions\/18079"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4077"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}