{"id":17754,"date":"2025-12-28T15:34:00","date_gmt":"2025-12-28T18:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=17754"},"modified":"2025-12-31T15:35:45","modified_gmt":"2025-12-31T18:35:45","slug":"violencia-contra-a-mulher-psicologia-como-ferramenta-de-acolhimento-e-reconstrucao-emocional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=17754","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra a mulher: psicologia como ferramenta de acolhimento e reconstru\u00e7\u00e3o emocional"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Instituto Suassuna refor\u00e7a import\u00e2ncia da escuta qualificada no combate ao ciclo de agress\u00f5es<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Marcando o Dia Internacional de Combate \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher, celebrado em 25 de novembro, o Instituto Suassuna chama aten\u00e7\u00e3o para os impactos emocionais vividos pelas v\u00edtimas e para a necessidade de redes de apoio mais estruturadas. Segundo a ONU Mulheres, uma em cada tr\u00eas mulheres no mundo j\u00e1 sofreu algum tipo de viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual. No Brasil, dados do F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica (FBSP) mostram que, somente em 2023, 1,6 milh\u00e3o de atendimentos por viol\u00eancia dom\u00e9stica foram realizados em delegacias e servi\u00e7os de sa\u00fade, um aumento de 12% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n\n\n\n<p>Para&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/danilosuassuna\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Danilo Suassuna<\/a>, doutor em psicologia e diretor do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/institutosuassuna\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Instituto Suassun<\/a>a, a viol\u00eancia deixa marcas que ultrapassam os epis\u00f3dios f\u00edsicos e se manifestam no cotidiano, na forma como a mulher se relaciona consigo mesma e com o ambiente. \u201cQuando falamos de viol\u00eancia, falamos tamb\u00e9m de medo constante, vigil\u00e2ncia extrema, dificuldade de tomar decis\u00f5es e ruptura do senso de seguran\u00e7a. \u00c9 um processo que exige compreens\u00e3o t\u00e9cnica e disponibilidade para a escuta\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ciclo emocional e sinais que antecedem a viol\u00eancia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisas internacionais apontam que o ciclo de viol\u00eancia costuma come\u00e7ar por sinais emocionais muitas vezes invis\u00edveis para a pr\u00f3pria v\u00edtima. Entre eles est\u00e3o isolamento progressivo, diminui\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sociais, desqualifica\u00e7\u00e3o frequente, invas\u00e3o de privacidade e controle sobre rotinas ou finan\u00e7as. Para Suassuna, reconhecer esses padr\u00f5es \u00e9 fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 comum que mulheres n\u00e3o identifiquem os primeiros sinais porque a agress\u00e3o n\u00e3o aparece imediatamente como viol\u00eancia f\u00edsica. Muitas vezes ela se apresenta na forma de controle, humilha\u00e7\u00e3o ou manipula\u00e7\u00e3o. Esses indicadores precisam ser vistos como alerta\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estima que mulheres que vivenciam viol\u00eancia dom\u00e9stica apresentam probabilidade at\u00e9 tr\u00eas vezes maior de desenvolver transtornos depressivos e ansiosos. O impacto tamb\u00e9m atinge o desempenho profissional, rela\u00e7\u00f5es familiares e at\u00e9 a sa\u00fade f\u00edsica, com altera\u00e7\u00f5es de sono, apetite e concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por que tantas mulheres n\u00e3o conseguem pedir ajuda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do aumento nos registros, especialistas apontam que a maioria dos casos ainda n\u00e3o chega aos servi\u00e7os de prote\u00e7\u00e3o. De acordo com a ONU Mulheres, mais de 70% das brasileiras que sofrem agress\u00f5es n\u00e3o procuram apoio formal.<\/p>\n\n\n\n<p>Danilo Suassuna lista fatores que contribuem para o sil\u00eancio:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>medo de retalia\u00e7\u00e3o;<\/li><li>depend\u00eancia financeira;<\/li><li>vergonha;<\/li><li>falta de informa\u00e7\u00e3o;<\/li><li>descren\u00e7a na rede de apoio;<\/li><li>isolamento provocado pelo agressor.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>\u201cQuando a mulher internaliza a ideia de que n\u00e3o ser\u00e1 acolhida ou de que a culpa \u00e9 dela, o risco aumenta. Por isso \u00e9 t\u00e3o importante que haja profissionais e institui\u00e7\u00f5es preparados para oferecer uma escuta t\u00e9cnica, sem julgamento\u201d, destaca.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acolhimento psicol\u00f3gico como parte da preven\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Instituto Suassuna, o atendimento psicol\u00f3gico exerce papel essencial na reconstru\u00e7\u00e3o emocional e no fortalecimento da autonomia da v\u00edtima. N\u00e3o se trata apenas de tratar consequ\u00eancias, mas de oferecer um ambiente seguro para organizar percep\u00e7\u00f5es, compreender riscos e planejar caminhos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO acolhimento psicol\u00f3gico ajuda a mulher a perceber que n\u00e3o est\u00e1 sozinha e que existem alternativas de prote\u00e7\u00e3o. \u00c9 um espa\u00e7o para nomear o que aconteceu, reorganizar suas refer\u00eancias e recuperar a autonomia que foi abalada pelo ciclo de viol\u00eancia\u201d, afirma Suassuna.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele refor\u00e7a que a psicologia tamb\u00e9m atua como ferramenta de preven\u00e7\u00e3o, auxiliando profissionais de escolas, unidades de sa\u00fade, servi\u00e7os sociais e demais institui\u00e7\u00f5es a identificar padr\u00f5es de vulnerabilidade antes que o quadro se agrave.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rede de apoio: onde buscar ajuda<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para mulheres que enfrentam situa\u00e7\u00f5es de risco, especialistas recomendam procurar:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Disque 180, canal nacional de den\u00fancia e orienta\u00e7\u00e3o;<\/li><li>Delegacias da Mulher ou delegacias comuns quando n\u00e3o houver unidade especializada;<\/li><li>UPAs e hospitais, que podem registrar a viol\u00eancia e encaminhar para suporte;<\/li><li>Centros de Refer\u00eancia de Assist\u00eancia Social (CRAS\/CREAS);<\/li><li>Redes locais de apoio, como servi\u00e7os municipais de prote\u00e7\u00e3o, grupos comunit\u00e1rios e ONGs.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Para Suassuna, informa\u00e7\u00e3o clara \u00e9 um dos fatores que mais salvam vidas. \u201cSaber onde pedir ajuda e qual \u00e9 o pr\u00f3ximo passo reduz o medo e aumenta a chance de ruptura do ciclo. Quanto mais pessoas conscientes do que \u00e9 viol\u00eancia e de como agir, maior a prote\u00e7\u00e3o coletiva.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o como instrumentos de mudan\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Instituto Suassuna refor\u00e7a que o combate \u00e0 viol\u00eancia n\u00e3o deve ser restrito a datas comemorativas. A institui\u00e7\u00e3o defende a amplia\u00e7\u00e3o de campanhas informativas, debates em escolas, programas de forma\u00e7\u00e3o para profissionais de sa\u00fade e assist\u00eancia e pol\u00edticas de preven\u00e7\u00e3o dentro dos territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 um fen\u00f4meno que atravessa fam\u00edlias, comunidades e gera\u00e7\u00f5es. O enfrentamento precisa ser constante, articulado e informado. Quando a sociedade compreende os sinais e acolhe sem julgamento, abrimos caminho para romper ciclos que se repetem h\u00e1 d\u00e9cadas\u201d, conclui Suassuna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Instituto Suassuna refor\u00e7a import\u00e2ncia da escuta qualificada no combate ao ciclo de agress\u00f5es Marcando o Dia Internacional de Combate \u00e0 Viol\u00eancia contra a Mulher, celebrado <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=17754\" title=\"Viol\u00eancia contra a mulher: psicologia como ferramenta de acolhimento e reconstru\u00e7\u00e3o emocional\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":4293,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/sirene-policia.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17754"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17754"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17754\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17755,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17754\/revisions\/17755"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4293"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17754"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17754"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17754"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}