{"id":17154,"date":"2025-09-12T14:15:55","date_gmt":"2025-09-12T17:15:55","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=17154"},"modified":"2025-09-12T14:15:57","modified_gmt":"2025-09-12T17:15:57","slug":"negocios-antirracistas-apontam-caminhos-para-um-empreendedorismo-mais-inclusivo-e-inovador-no-norte-e-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=17154","title":{"rendered":"Neg\u00f3cios antirracistas apontam caminhos para um empreendedorismo mais inclusivo e inovador no Norte e Nordeste"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Microempreendedoras mostram como o combate ao racismo estrutural tamb\u00e9m passa pela maneira de fazer neg\u00f3cios e fortalecer comunidades<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mais da metade dos&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciasebrae.com.br\/dados\/negros-sao-maioria-dos-empreendedores-brasileiros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">micro e pequenos empreendedores<\/a>&nbsp;no Brasil \u2014 cerca de 15,2 milh\u00f5es de pessoas \u2014 se declaram pretos ou pardos. No Norte e no Nordeste, essa presen\u00e7a \u00e9 ainda mais expressiva: quase 80% (especialmente no Amap\u00e1, Acre e Amazonas) e pouco mais de 72%, respectivamente, segundo dados do Sebrae. Ainda assim, empreendedores pretos seguem enfrentando barreiras no acesso ao cr\u00e9dito, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e \u00e0 visibilidade. Diante dessas dificuldades, neg\u00f3cios com prop\u00f3sito antirracista t\u00eam se consolidado como ferramentas de transforma\u00e7\u00e3o e de impuls\u00e3o de ideias inovadoras e inclusivas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o que mostram as trajet\u00f3rias de Ta\u00eds Cardoso e Erika Maia, participantes do Projeto&nbsp;<em>Neg\u00f3cio Raiz,<\/em>&nbsp;uma iniciativa da Alian\u00e7a Empreendedora, com apoio da Youth Business International (YBI) e financiamento da Standard Chartered Foundation, por meio do programa Futuremakers. Voltado para fortalecer o ecossistema empreendedor da bioeconomia nas regi\u00f5es Norte e Nordeste, o projeto j\u00e1 beneficiou mais de 1.800 microempreendedores apoiados, em dois ciclos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA maioria das empreendedoras que passam pelo Projeto&nbsp;<em>Neg\u00f3cio Raiz<\/em>&nbsp;s\u00e3o mulheres negras que empreendem para garantir renda, sustento e dignidade para suas fam\u00edlias. Neste contexto, elas constroem neg\u00f3cios que carregam prop\u00f3sito e responsabilidade social como parte da sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria. N\u00e3o \u00e9 apenas uma escolha estrat\u00e9gica ou pela moda: \u00e9 a forma como vivem, cuidam e resistem. Nosso papel, enquanto Projeto, \u00e9 oferecer suporte t\u00e9cnico, emocional e estrat\u00e9gico para que esses empreendimentos se fortale\u00e7am, ganhem visibilidade e ampliem seu impacto. Ao apoiar essas mulheres, estamos impulsionando n\u00e3o s\u00f3 neg\u00f3cios, mas tamb\u00e9m transforma\u00e7\u00f5es profundas em suas comunidades\u201d, ressalta Andressa Trivelli, coordenadora do Projeto&nbsp;<em>Neg\u00f3cio Raiz<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ta\u00eds Cardoso (30 anos) \u00e9 fundadora da&nbsp;<a href=\"https:\/\/heylink.me\/tracosmarcantes\/?fbclid=PAQ0xDSwLcB29leHRuA2FlbQIxMQABp-QUdbH5YfduMbzGLyTq_7SUEqcSyPn1Sfgt5_Uym-r9waIUiampWIVgir7p_aem_EMpGqb5hi4gN0RuSKXjV4g\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Tra\u00e7os Marcantes<\/em><\/a>, criada para promover empoderamento, autoestima e express\u00e3o cultural entre crian\u00e7as negras e ind\u00edgenas por meio da moda e de experi\u00eancias educativas. \u201cO nosso prop\u00f3sito \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o e o empoderamento. As nossas vestes comunicam isso. A nossa primeira cole\u00e7\u00e3o foi de camisas falantes \u2014 uma delas dizia \u2018N\u00e3o toque em meu cabelo\u2019, trazendo uma problem\u00e1tica que crian\u00e7as negras e de cabelos&nbsp;<em>black<\/em>&nbsp;geralmente passam. A nossa marca vem muito nesse intuito de quebrar paradigmas\u201d, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela refor\u00e7a que participar do Projeto ofereceu uma oportunidade de dar mais estrutura ao seu neg\u00f3cio, localizado em Salvador e Cama\u00e7ari, na Bahia. \u201cUm dos meus principais aprendizados foi entender o meu neg\u00f3cio de forma mais palp\u00e1vel, pontual, din\u00e2mica e acess\u00edvel. Era um di\u00e1logo preciso, que a gente conseguia compreender e colocava a m\u00e3o na massa, para construir uma narrativa melhor e um plano de neg\u00f3cio mais estruturado\u201d, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Ta\u00eds tamb\u00e9m aponta as barreiras que empreendedores pretos enfrentam. \u201cAs estrat\u00e9gias mais eficazes para superar isso s\u00e3o estar dentro de comunidades com pessoas negras, participar de acelera\u00e7\u00f5es pensadas para pessoas negras, em que h\u00e1 fomento de capital semente, possibilidade de empr\u00e9stimos e um&nbsp;<em>network<\/em>&nbsp;mais palp\u00e1vel. Ent\u00e3o essas est\u00e3o sendo as estrat\u00e9gias para poder superar esse racismo estrutural dentro do empreendedorismo tamb\u00e9m\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A empreendedora acredita que seu neg\u00f3cio, ao promover respeito \u00e0s diferen\u00e7as desde a inf\u00e2ncia, tamb\u00e9m contribui para o enfrentamento do racismo. \u201cO foco principal s\u00e3o crian\u00e7as negras e ind\u00edgenas, mas a gente agrega todas as comunidades. Levar o meu neg\u00f3cio para outros locais faz com que pessoas de ra\u00e7as diferentes entendam a import\u00e2ncia da quebra do racismo, que n\u00e3o \u00e9 algo que nasce com a pessoa, mas que \u00e9 constru\u00eddo ao longo do tempo em uma sociedade racista\u201d, complementa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para os jovens pretos que sonham em empreender, Ta\u00eds deixa um conselho: \u201cN\u00e3o desistam. Saber que o seu neg\u00f3cio tem um prop\u00f3sito \u00e9 muito importante. \u00c9 dif\u00edcil se colocar e se manter no mercado, mas o prop\u00f3sito precisa falar mais alto. A gente pode gerar renda n\u00e3o s\u00f3 para n\u00f3s, mas para outras fam\u00edlias tamb\u00e9m. E impactar vidas. Eu fico muito emocionada de ver o brilho nos olhos das crian\u00e7as nos eventos, de ouvir o&nbsp;<em>feedback<\/em>&nbsp;de uma crian\u00e7a se empoderando e entendendo que pode ser o que ela quiser ser\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Apoio e consumo pelo prop\u00f3sito<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Erika Maia (23 anos), que tamb\u00e9m vive em Cama\u00e7ari, fundadora e gestora da&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/ahimsa_produtosdanatureza?igsh=MTU5cjA3YWphcDFybA%3D%3D&amp;utm_source=qr\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ahimsa Produtos da Natureza<\/a>, \u00e9 uma mulher branca que escolheu empreender de forma alinhada com o respeito \u00e0 diversidade e \u00e0 justi\u00e7a social. \u201cMinha motiva\u00e7\u00e3o para empreender surgiu do desejo profundo de viver com mais coer\u00eancia com aquilo que acredito: respeito \u00e0 Terra, \u00e0s pessoas e \u00e0 vida em todas as suas formas. Empreender foi a forma que encontrei de unir cuidado, prop\u00f3sito e a\u00e7\u00e3o concreta em prol de um futuro mais sustent\u00e1vel e justo. Acredito que todos somos seres da Terra, partimos de um mesmo organismo vivo, e que n\u00e3o faz sentido construirmos neg\u00f3cios que reforcem divis\u00f5es ou desigualdades\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela \u00e9 fundadora de um pequeno neg\u00f3cio de sabonetes e produtos naturais artesanais, que valoriza saberes ancestrais e comunit\u00e1rios e prioriza uma cadeia produtiva limpa e justa. Participar do&nbsp;<em>Neg\u00f3cio Raiz<\/em>&nbsp;refor\u00e7ou ainda mais o alinhamento entre prop\u00f3sito e pr\u00e1tica. \u201cTive acesso a mentorias que me ajudaram a enxergar meu neg\u00f3cio com mais clareza estrat\u00e9gica e profundidade social. Entendi a import\u00e2ncia de transformar meus valores em a\u00e7\u00f5es concretas e percebi o quanto \u00e9 fundamental alinhar o impacto que desejo causar com a forma como conduzo cada detalhe da produ\u00e7\u00e3o, das parcerias e da comunica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Erika, reconhecer as desigualdades raciais tamb\u00e9m \u00e9 um passo importante para empreendedores brancos. \u201cEmpreendedores negros enfrentam dificuldades no acesso a cr\u00e9dito, redes de apoio, forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e visibilidade. Essas barreiras n\u00e3o s\u00e3o individuais, s\u00e3o parte de um sistema que precisa ser questionado. Como empreendedora branca, vejo como meu papel apoiar essas redes sem ocupar o espa\u00e7o delas: seja como consumidora, parceira ou aliada na visibilidade e no acesso a oportunidades\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO foco do meu neg\u00f3cio est\u00e1 na sustentabilidade. Minhas escolhas de parceria, fornecimento e rede s\u00e3o guiadas por esse princ\u00edpio. Apoio e colaboro com quem est\u00e1 comprometido com pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis, regenerativas e \u00e9ticas \u2014 independentemente da cor, origem ou status. Acredito que \u00e9 assim que constru\u00edmos um novo modelo de economia, em que todas as pessoas possam estar inclu\u00eddas de forma justa&#8221;, complementa Erika.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Pa\u00eds empreendedor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil vive hoje sua maior taxa de empreendedorismo dos \u00faltimos anos, sendo que 33,4% da popula\u00e7\u00e3o adulta est\u00e1 envolvida com algum tipo de neg\u00f3cio, de acordo com a pesquisa&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciasebrae.com.br\/dados\/brasil-tem-maior-taxa-de-empreendedorismo-dos-ultimos-anos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Global Entrepreneurship Monitor&nbsp;<\/a>(GEM) 2024. Ainda de acordo com a pesquisa, os jovens entre 18 e 34 anos t\u00eam puxado esse crescimento, grupo no qual est\u00e3o inseridos muitos participantes do Projeto&nbsp;<em>Neg\u00f3cio Raiz<\/em>. Mas n\u00e3o basta empreender, \u00e9 preciso tamb\u00e9m questionar as estruturas que dificultam o acesso e a perman\u00eancia de pessoas negras e perif\u00e9ricas nesse universo.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;\u201cNa Alian\u00e7a Empreendedora, entendemos que o combate ao racismo estrutural passa tamb\u00e9m pelo fortalecimento de empreendedores que atuam com prop\u00f3sito e impacto social. Apoiar neg\u00f3cios antirracistas \u00e9 contribuir para uma economia mais justa, onde saberes e identidades s\u00e3o valorizados. Acreditamos que promover inclus\u00e3o racial no empreendedorismo \u00e9 uma forma potente de transformar realidades e gerar oportunidades nas comunidades mais afetadas pelas desigualdades.\u201d, destaca Mariana Nunes, integrante do Comit\u00ea de Diversidade da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre o Projeto Neg\u00f3cio Raiz<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Neg\u00f3cio Raiz \u00e9 uma iniciativa da Alian\u00e7a Empreendedora com apoio da Youth Business International (YBI) e financiamento da Standard Chartered Foundation (SCF), como parte do programa Futuremakers do Standard Chartered. Tem como objetivo apoiar jovens microempreendedores, especialmente das regi\u00f5es Norte e Nordeste, com capacita\u00e7\u00e3o, mentoria e conex\u00e3o com oportunidades de gera\u00e7\u00e3o de renda. Mais informa\u00e7\u00f5es, clique<a href=\"https:\/\/evento.negocioraiz.org.br\/online\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">&nbsp;aqui<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a Alian\u00e7a Empreendedora<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Alian\u00e7a Empreendedora acredita que todos e todas os brasileiros podem empreender de forma digna e justa, e usa o empreendedorismo como forma de transformar o Brasil. Em 20 anos j\u00e1 apoiou mais de 250 mil microempreendedores, recebendo em 2023 o Pr\u00eamio de Melhor ONG de Gera\u00e7\u00e3o de Renda do Brasil. Neste sentido, capacita e apoia gratuitamente microempreendedores formais e informais em comunidades e periferias de todo o pa\u00eds, gerando inclus\u00e3o e desenvolvimento econ\u00f4mico social, em parceria com empresas, governos, organiza\u00e7\u00f5es sociais e interessados na causa. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Microempreendedoras mostram como o combate ao racismo estrutural tamb\u00e9m passa pela maneira de fazer neg\u00f3cios e fortalecer comunidades Mais da metade dos&nbsp;micro e pequenos empreendedores&nbsp;no <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=17154\" title=\"Neg\u00f3cios antirracistas apontam caminhos para um empreendedorismo mais inclusivo e inovador no Norte e Nordeste\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":17155,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/image-9.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17154"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17154"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17156,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17154\/revisions\/17156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17155"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}