{"id":15025,"date":"2024-11-09T10:56:11","date_gmt":"2024-11-09T13:56:11","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=15025"},"modified":"2024-11-09T11:00:02","modified_gmt":"2024-11-09T14:00:02","slug":"exposicao-a-poluicao-por-plastico-amplia-em-85-a-probabilidade-de-adoecimento-dos-corais-aponta-relatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=15025","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico amplia em 85% a probabilidade de adoecimento dos corais, aponta relat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"\n<p><em>Projeto Mares monitora o comportamento da fauna coral\u00ednea e visa restaurar uma \u00e1rea de 1,5 km\u00b2 no recife das Pina\u00fanas, em Mar Grande, na Ilha de Itaparica, com o cultivo em ber\u00e7\u00e1rio e \u2018planta\u00e7\u00e3o\u2019 de aproximadamente 1,6 mil sementeiras com a esp\u00e9cie nativa Millepora alcicornis<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em um cen\u00e1rio desafiador, em que o mundo registrou nos primeiros meses de 2024 a quarta epidemia de branqueamento de corais em um espa\u00e7o de tempo de 25 anos, um relat\u00f3rio divulgado no \u00faltimo dia 17 de outubro pela ONG Oceania, coloca ainda mais em evid\u00eancia os riscos \u00e0 sa\u00fade dos corais brasileiros. Segundo dados do relat\u00f3rio Fragmentos da Destrui\u00e7\u00e3o: impacto do pl\u00e1stico \u00e0 biodiversidade marinha brasileira, com 1,3 milh\u00e3o de toneladas de pl\u00e1stico lan\u00e7adas anualmente no oceano, o Brasil \u00e9 o oitavo pa\u00eds do mundo e o maior poluidor da Am\u00e9rica Latina em descarte deste material. Esses dados consolidam a import\u00e2ncia de a\u00e7\u00f5es de restaura\u00e7\u00e3o e monitoramento da fauna coral\u00ednea, como a que vem sendo desenvolvida pelo Projeto Mares na Ba\u00eda de Todos os Santos (BTS), a maior ba\u00eda do Brasil e segunda maior do mundo \u2013 a BTS completa 423 anos no pr\u00f3ximo dia 01 de novembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Realizado pela ONG Socioambientalista PR\u00d3-MAR, o Projeto Mares, iniciativa que conta com o apoio da Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, vem trabalhando desde janeiro de 2023, no monitoramento e restaura\u00e7\u00e3o coral\u00ednea em uma \u00e1rea de 1,5 km\u00b2 no recife das Pina\u00fanas, na Ilhota, em Mar Grande \u2013 Ilha de Itaparica. Desenvolvidas com base no Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) 14, estabelecido pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), que trata da Conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustent\u00e1vel e ODS 13 \u2013 Combate \u00e0s Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, as a\u00e7\u00f5es realizadas pelo projeto contribuem para destacar o pioneirismo da BTS como polo de pesquisas e exemplo para outras iniciativas que tenham como prop\u00f3sito minimizar os impactos dos efeitos clim\u00e1ticos e da polui\u00e7\u00e3o nos oceanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale destacar que, o documento publicado pela ONG Oceania afirma que, por ser leve, o pl\u00e1stico \u00e9 facilmente transportado pelas correntes oce\u00e2nicas, ficando preso e enredado em fr\u00e1geis sistemas de recifes de coral. Essa exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico exp\u00f5em os corais a um risco significativamente maior de contrair doen\u00e7as, podendo assim, comprometer as suas fun\u00e7\u00f5es biol\u00f3gicas. De acordo com estudos trazidos pelo relat\u00f3rio apresentado pela Oceania, ao entrarem em contato com fragmentos pl\u00e1sticos, a probabilidade de os corais desenvolverem doen\u00e7as aumenta de 4% para 89%, ou seja, um crescimento de 85%.<\/p>\n\n\n\n<p>Para evitar que os corais que est\u00e3o sendo cultivados, assim como a popula\u00e7\u00e3o existente na \u00e1rea monitorada, sofram com mais esta amea\u00e7a, o Projeto Mares realiza com frequ\u00eancia atividades de limpeza de praia, mangue e submarina, recolhendo n\u00e3o s\u00f3 materiais pl\u00e1sticos, mas, tamb\u00e9m, outros tipos de objetos poluentes que podem gerar riscos tanto aos corais, quanto a todas as demais esp\u00e9cies marinhas. E, por consequ\u00eancia, trazer preju\u00edzos \u00e0s fam\u00edlias que tiram do mar o seu sustento. As a\u00e7\u00f5es de limpeza resultaram na retirada de mais de 1,5 toneladas de lixo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cultivo e desenvolvimento em ber\u00e7\u00e1rios trazem esperan\u00e7a diante de cen\u00e1rio de amea\u00e7as a vida das esp\u00e9cies coral\u00edneas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Instalados a aproximadamente 1,2 km da costa, na praia da Ilhota, em Mar Grande, os ber\u00e7\u00e1rios de corais que est\u00e3o sendo cultivados pelo Projeto Mares trazem esperan\u00e7a diante do cen\u00e1rio de constante amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o desse ecossistema que abriga cerca de 25% das esp\u00e9cies marinhas do planeta. Formados por uma esp\u00e9cie de mesa, confeccionada com tubo PVC e rede de nylon, os ber\u00e7\u00e1rios s\u00e3o utilizados para o cultivo de fragmentos de coral de fogo, nome popular da Millepora alcicornis, esp\u00e9cie escolhida por sua maior adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente alvo da regenera\u00e7\u00e3o proposta pelo Projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Coordenador cient\u00edfico do Projeto Mares, o bi\u00f3logo Lucas Lolis explica que 40 mesas ber\u00e7\u00e1rios est\u00e3o sendo utilizadas para o cultivo dos fragmentos de coral para que estes se fixem as sementeiras. Produzidas com substratos compostos por esqueletos de organismos bioincrustantes, estas sementeiras servem como base para o desenvolvimento dos fragmentos at\u00e9 que eles atinjam o ponto de forma\u00e7\u00e3o de novas col\u00f4nias e serem transplantados para o ambiente recifal. Destas 40 mesas, 32 est\u00e3o no s\u00edtio que forma a fazenda marinha do Projeto, sendo que oito delas est\u00e3o em seu segundo lote de plantio.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm cada uma destas mesas fazemos o cultivo e cuidado de em m\u00e9dia 40 col\u00f4nias. Nossa meta, j\u00e1 batida, \u00e9 do cultivo de 1600 col\u00f4nias, destas 370 j\u00e1 foram para o recife e 1230 ainda se encontram nas mesas aguardando atingirem o ponto certo para serem levadas ao ambiente recifal\u201d, ressalta Lolis. Entretanto, o bi\u00f3logo destaca que o n\u00famero de col\u00f4nias cultivadas no ber\u00e7\u00e1rio foi maior: 1.664 no total. Sendo que 64 delas morreram em fun\u00e7\u00e3o do branqueamento que atingiu cerca de 50% dos fragmentos instalados nos ber\u00e7\u00e1rios e outras a\u00e7\u00f5es como, por exemplo, a movimenta\u00e7\u00e3o das ondas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cApesar das intemp\u00e9ries registradas durante o nosso cultivo, observamos que a maioria das nossas col\u00f4nias se recuperaram, tendo sido registrado apenas 4% de mortalidade, um n\u00famero muito baixo e, provavelmente bem menor do que no recife, onde apenas cerca de metade dos fragmentos se fixam e geram novas col\u00f4nias enquanto o resto \u00e9 soterrado ou acaba morrendo\u201d, destaca Lolis. Segundo o bi\u00f3logo, at\u00e9 o final do projeto, que acontece em dezembro deste ano, a equipe seguir\u00e1 executando o monitoramento dos recifes que ir\u00e3o receber col\u00f4nias. \u201cPrecisamos conhecer as caracter\u00edsticas das comunidades biol\u00f3gicas antes de realizar a transfer\u00eancia e ap\u00f3s o plantio das col\u00f4nias do coral de fogo\u201d, afirma Lolis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNeste ciclo, o trabalho tem sido realizado com muito empenho de todos os envolvidos, numa tarefa de esfor\u00e7o di\u00e1rio de mergulho e, tamb\u00e9m, de pesquisa para o desenvolvimento das melhores t\u00e9cnicas e procedimentos de cultivo. E, o mais importante, o Projeto vem sendo realizado com muito apoio vindo de parceiros da academia, da iniciativa privada e, principalmente, da popula\u00e7\u00e3o da ilha. Podemos afirmar que encontramos realmente um prop\u00f3sito em comum\u201d, finaliza Lucas Lolis, ressaltando que mais recentemente o trabalho passou a contar, tamb\u00e9m, com a parceria da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Meio Ambiente e Recursos H\u00eddricos (Inema).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"896\" height=\"575\" src=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-9.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-15026\" srcset=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-9.png 896w, https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-9-300x193.png 300w, https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-9-768x493.png 768w\" sizes=\"(max-width: 896px) 100vw, 896px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Projeto Mares monitora o comportamento da fauna coral\u00ednea e visa restaurar uma \u00e1rea de 1,5 km\u00b2 no recife das Pina\u00fanas, em Mar Grande, na Ilha <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=15025\" title=\"Exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o por pl\u00e1stico amplia em 85% a probabilidade de adoecimento dos corais, aponta relat\u00f3rio\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":15026,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-9.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15025"}],"collection":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=15025"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15025\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15027,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/15025\/revisions\/15027"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/15026"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=15025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=15025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=15025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}