{"id":13416,"date":"2024-07-06T14:38:08","date_gmt":"2024-07-06T17:38:08","guid":{"rendered":"http:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=13416"},"modified":"2024-07-06T14:38:09","modified_gmt":"2024-07-06T17:38:09","slug":"o-excesso-de-telas-e-as-consequencias-no-desenvolvimento-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/correiodoestadobahia.com.br\/?p=13416","title":{"rendered":"O excesso de telas e as consequ\u00eancias no desenvolvimento infantil"},"content":{"rendered":"\n<p>O excesso de telas tem comprometido o c\u00e9rebro e a afetividade dos humanos. Essa realidade \u00e9 embasada por dados e comprovada diariamente. A partir desse entendimento, \u00e9 importante refletirmos sobre esse cen\u00e1rio. A cogni\u00e7\u00e3o e a afetividade est\u00e3o, cada vez mais, se esvaziando e ficando deficit\u00e1rias para o mundo atual.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, t\u00ednhamos a possibilidade de telefonar para amigos e parentes sem consultar a agenda. Utiliz\u00e1vamos nosso c\u00e9rebro para memorizar e captar as informa\u00e7\u00f5es quando necess\u00e1rio. Hoje, procuramos o contato na agenda do celular sem a necessidade de teclar o n\u00famero. Basta dar um comando que as assistentes virtuais dos smartphones fornecem os dados.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas esse simples ato nos leva a um questionamento: de que forma estamos acessando nossa mem\u00f3ria de longo e curto prazo? N\u00f3s somos os adultos do mundo, os modelos a serem seguidos pelas nossas crian\u00e7as e adolescentes. O que estamos transmitindo para eles al\u00e9m de dados, facilidades e falta de tempo?<\/p>\n\n\n\n<p>A reflex\u00e3o, nesse momento, \u00e9 um bem valioso para pensarmos sobre o rebaixamento cognitivo e afetivo dentro das escolas e no dia a dia das fam\u00edlias quando se trata de crian\u00e7as em forma\u00e7\u00e3o. Cabe pensarmos em nossa media\u00e7\u00e3o junto aos filhos e alunos. Como mediar o uso excessivo das tecnologias e seus acessos e consumo, muitas vezes, desnecess\u00e1rios?<\/p>\n\n\n\n<p>Nem toda informa\u00e7\u00e3o \u00e9 conhecimento. Em tempos de excessos, ensinar a fazer escolhas e se responsabilizar por elas pode ajudar muito a recuperar sinapses e gerar conex\u00f5es inteligentes. Voc\u00eas j\u00e1 pararam para observar que nem n\u00f3s, adultos, estamos usando nossa mem\u00f3ria para buscar dados? Apenas damos um Google e l\u00e1 vem a resposta e, consequentemente, os deveres de casa no modo copia e cola.<\/p>\n\n\n\n<p>As crian\u00e7as nascem e j\u00e1 s\u00e3o colocadas em contato com o mundo externo no segundo dia de vida. N\u00e3o existe mais uma adapta\u00e7\u00e3o ao novo ambiente e aos pais. Com meses de vida, elas j\u00e1 est\u00e3o em locais p\u00fablicos e festas, com a chupeta eletr\u00f4nica em frente: uma tela para entretenimento. Ser\u00e1 que tantos excessos e est\u00edmulos precoces n\u00e3o exigem respostas r\u00e1pidas e hiperativas?<\/p>\n\n\n\n<p>O momento presente nos convida a um repensar de comportamentos, viv\u00eancias e prioridades. Repensar alguns comportamentos se faz necess\u00e1rio e urgente. Receber uma crian\u00e7a \u00e9 uma tarefa intransfer\u00edvel e que exige dos adultos muita responsabilidade e disponibilidade. O acolhimento da crian\u00e7a far\u00e1 toda a diferen\u00e7a na sua vida afetiva e cognitiva. Os pais s\u00e3o considerados os primeiros objetos de amor desse ser e, a partir desses primeiros v\u00ednculos, ele ir\u00e1 conhecer a si mesmo, o outro e o mundo. \u00c9 a primeira porta aberta para as aprendizagens &#8211; ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero aqui ser demagoga e dizer que os beb\u00eas precisam passar por uma quarentena. N\u00e3o \u00e9 essa a quest\u00e3o. O ponto essencial \u00e9 a presen\u00e7a acolhedora, a ambienta\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos e a adapta\u00e7\u00e3o de cada dia. Crian\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o objetos, s\u00e3o seres viventes em desenvolvimento, ainda fr\u00e1geis perante tantos est\u00edmulos e demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>Observar mais e expor menos pode ser um primeiro passo. O cuidado nos anos iniciais far\u00e1 toda diferen\u00e7a pela vida afora. Da mesma maneira, as tecnologias que temos e com as quais eles interagem em tenra idade devem ser reguladas e acompanhadas pelos adultos respons\u00e1veis. O tablet no banco do carro para que a crian\u00e7a fique em sil\u00eancio tira toda a possibilidade dela explorar o mundo l\u00e1 fora. A observa\u00e7\u00e3o e a reten\u00e7\u00e3o do que se v\u00ea s\u00e3o ingredientes para ter aten\u00e7\u00e3o. J\u00e1 pensaram nisso?<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos ter nossas pr\u00f3prias verdades e justificativas, mas esse n\u00e3o \u00e9 o caminho do afeto, do v\u00ednculo e, muito menos, do di\u00e1logo, que \u00e9 t\u00e3o cobrado l\u00e1 na adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A falta de olho no olho e o excesso de olhar em telas tem nos desumanizado e aumentado a banaliza\u00e7\u00e3o de tantos transtornos e defici\u00eancias. Estar\u00e3o as novas gera\u00e7\u00f5es com d\u00e9ficit de humanos adultos dispon\u00edveis? Precisamos rever alguns conceitos. E r\u00e1pido!<\/p>\n\n\n\n<p>O papel da escola, da sociedade, dos pediatras e dos terapeutas faz-se urgente junto \u00e0s fam\u00edlias. As crian\u00e7as perderam a capacidade de fazer coisas simples, de se relacionar, de brincar, de dialogar e de obter movimentos f\u00edsicos que auxiliem no dia a dia. Como exemplo, podemos citar a dificuldade para se vestir, para dobrar a roupa, para silenciar e para entender regras, pois a vida est\u00e1 sendo alicer\u00e7ada com falta do dia a dia intenso com a fam\u00edlia. Onde moram tantas dificuldades?<\/p>\n\n\n\n<p>Cansamos de ver fam\u00edlias em restaurantes e cada um na sua pr\u00f3pria telinha. Aquele poderia ser um momento de encontro e, no entanto, vira um encontro de solid\u00f5es e sil\u00eancios compartilhados. Crian\u00e7as sendo alimentadas pelos pais, assistindo desenhos, pais postando os pequenos filhos em suas redes nada sociais. Precisamos repensar!<\/p>\n\n\n\n<p>Onde fica o processo de aprendizagem das coisas simples? Como esse ser humano pequenino est\u00e1 constitu\u00eddo sem media\u00e7\u00e3o de outro humano? Onde est\u00e3o as conex\u00f5es humanas e suas primeiras habilidades cognitivas para o c\u00e1lculo, para a leitura e para os conflitos de aprender e crescer?<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e3o aprendendo a n\u00e3o pensar, a n\u00e3o usar o c\u00e9rebro e a automatizar emo\u00e7\u00f5es e sensa\u00e7\u00f5es cada vez mais empobrecidas. O c\u00e9rebro \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o social em constante desenvolvimento e que precisa ser estimulado desde os primeiros dias. Por isso, temos que mudar essa realidade com muita responsabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Precisamos estimular as crian\u00e7as e fazer com que elas olhem para fora das telas. Devemos propor tarefas e brincadeiras, dedicar um tempo para criar, imaginar, fantasiar e, al\u00e9m disso, pensar no coletivo e na fam\u00edlia, ajudar nas pequenas tarefas da casa, da escola e, amanh\u00e3, do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>A Europa \u00e9 um pa\u00eds que tem se dedicado com afinco para isso, para o tempo para estruturar as crian\u00e7as desde rec\u00e9m-nascidas para o uso do que temos de mais importante: o c\u00e9rebro e sua emo\u00e7\u00e3o. Quando nos deparamos com estudos sobre o malef\u00edcio que a tecnologia tem causado \u00e0s crian\u00e7as, nos questionamos o porqu\u00ea dos adultos n\u00e3o mudarem sua maneira de educar as crian\u00e7as para isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que os adultos tamb\u00e9m est\u00e3o precisando de ajuda com seus excessos? Conectar-se em excesso com m\u00e1quinas sinaliza um desconectar-se de si e do outro. Pensem nisso. Que futuro nos espera? Pensar, calcular, ter coordena\u00e7\u00e3o motora fina ou ampla de qualidade e possuir um vocabul\u00e1rio robusto s\u00e3o algumas das habilidades que hoje est\u00e3o se perdendo consideravelmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade tamb\u00e9m gera questionamentos de que as crian\u00e7as n\u00e3o est\u00e3o em franco desenvolvimento e aprendizado, gerindo e regulando suas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es. Quais s\u00e3o os modelos que elas acompanham? Youtubers? Chegam da escola e, com o v\u00edcio nas telas, n\u00e3o se desligam nem na hora de dormir, acordar e estudar. Elas est\u00e3o intoxicadas de eletr\u00f4nicos e muitas sofrem fisicamente com o distanciamento de sua m\u00e1quina.<\/p>\n\n\n\n<p>Cresce o n\u00famero alarmante de crises de abstin\u00eancia em crian\u00e7as e adolescentes. A companheira insepar\u00e1vel, Alexa, \u00e9 quem diz as respostas, pensa e corrige os pequenos. E onde est\u00e1 o adulto da rela\u00e7\u00e3o neste momento?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o necessitamos de especialistas para saber que resultado temos tido com a tecnologia tomando a frente na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as. Basta que olhemos atentamente para o n\u00famero de patologias criadas. O brincar livremente virou um produto de luxo.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 observaram que toda festa infantil tem recreadores? Os espa\u00e7os p\u00fablicos como pra\u00e7as, ruas e museus est\u00e3o cada vez menos habitados. Usar o c\u00e9rebro de forma efetiva \u00e9 tarefa da fam\u00edlia. Esse \u00e9 um aprendizado de vida e para a vida. O c\u00e9rebro precisa de est\u00edmulo.<\/p>\n\n\n\n<p>Como aprender a ler se os pais n\u00e3o t\u00eam h\u00e1bitos de leitura? Como ler sem media\u00e7\u00e3o? Como conversar em tempos de mon\u00f3logos e emoticons? Como saber esperar a sua vez, se frustrar, ganhar e, at\u00e9 mesmo, perder se isso n\u00e3o \u00e9 exercitado?<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00edamos ficar aqui escrevendo e refletindo, mas o tempo presente n\u00e3o nos permite mais esperar. O pedido \u00e9 para os adultos: retomem seus lugares de refer\u00eancia na vida de seus filhos, deem as m\u00e3os com a escola, que \u00e9 sua maior parceira nessa transi\u00e7\u00e3o de mundo, e assumam a viagem da vida r\u00e1pida de seus filhos que est\u00e3o crescendo no quarto ao lado do seu (e n\u00e3o nas suas camas compartilhadas). Retomem o papel social de fam\u00edlia e o papel educativo que a fam\u00edlia possui, pois a escola n\u00e3o pode assumir essa responsabilidade. O momento pede: recalculem a rota da educa\u00e7\u00e3o familiar.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>O excesso de telas tem comprometido o c\u00e9rebro e a afetividade dos humanos. 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